CULTURA EM CASA

Festival Favela em Casa começa nesta sexta e promove cultura periférica

Evento reunirá música, teatro, dança, literatura, além de de debates, durante 12 horas de programação. Das 19h às 23h, na sexta e no sábado, e das 15h às 19h, no domingo

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A abertura de hoje começa com um show da rapper Drik Barbosa, que será transmitido ao vivo, no canal Festival Favela em Casa no Youtube

São Paulo – O Festival Favela em Casa vai levar a cultura periférica para dentro de sua casa, a partir da noite desta sexta-feira (18). Com uma programação variada e plural, o evento busca promover a arte das favelas de São Paulo, em seus diversos meios de expressão. A abertura hoje terá show da rapper Drik Barbosa, transmitido ao vivo no canal Festival Favela em Casa no Youtube e na página de Facebook do Sesc SP. Nesta sexta, sábado (19) e domingo (20), o festival reunirá música, teatro, dança, literatura e audiovisual , além de uma série de debates, durante 12 horas de programação.

Idealizada e produzida por Andressa Oliveira, Marcelo Rocha e Coletivo Favela em Casa, o Festival Favela Em Casa fortalece artistas periféricos durante o período de pandemia de covid-19, já que a maioria não teve recursos para realizar as lives. “Elas foram feitas por quem já tinha espaço e recursos. Como sempre, a arte periférica e independente ficou à mercê de suas próprias condições. O festival vem na intenção de poder criar um espaço para movimentar artistas e profissionais”, explica Andressa, moradora do Campo Limpo, extremo sul da capital, à RBA.

Entre as apresentações musicais estão Caue Gas, Emcee lê, Jota Pê, Os Ferrais, Marabu, Ôbigo, Tasha e Tracie, Red Lion, Bia Doxum, e Xote das Mina. Já na literatura e slams, estarão presentes Felipe Marinho, Kimani, Jessica Campos, Roberta Estrela D’Alva. Na dança, Aline Constantino, Afrobreak, Babiy Quirino, Djalma Moura, Vanessa Soares, Keyson Idd e Débora Regi.

Andressa acrescenta ainda que haverá uma cenografia montada para as apresentações ao vivo. “Montamos um set com uma cenografia para registrar as atrações de música, dança e os slams nesse estúdio. Os outros conteúdos foram gravados remotamente, o que vai trazer muita variação.”

Representatividade

O festival conta com o apoio do Sesc São Paulo, que direcionou sua estrutura para realizar o evento. A programação terá a presença de artistas das diferentes regiões da Grande São Paulo, com uma diversidade de identidades e sotaques.

“Temos uma programação com variedade de gênero, com diversas mulheres, transexuais e a comunidade LGBT na programação. É um projeto só com pessoas periféricas e a maioria negra, trazendo a mais diversa linguagem artística, até musical, como funk, rap, samba-rock, choro, MPB e pagode”, explica Andressa.

Além da parte artística, o Festival Favela Em Casa tem uma equipe formada por trabalhadores independentes e também periféricos, desde a comunicação até a estrutura de set. Ao todo, são mais 40 profissionais envolvidos. Para a idealizadora, o evento é um “manifesto” que mostra a potencialidade de produção artística periférica.

“Sabemos o quanto é difícil uma pessoa preta, periférica e LGBT se inserir e construir uma legitimidade no mercado, seja ele qual for. O festival ser uma construção independente, por mais que tenhamos o Sesc como parceiro financeiro, foi uma construção feita por nós. E isso é essencial. Estamos mantendo nossa narrativa e representatividade, sem cair num lugar vago sobre o que é a favela. É uma legitimidade profissional, com uma equipe que pode se reconhecer”, comemora.

O festival será realizado na sexta e no sábado, das 19h às 23h e, no domingo, das 15h às 19h, com transmissão completa pelo canal do festival no Youtube.

Na televisão aberta, o canal digital da TVT (44.1, Grande São Paulo) exibirá parte do festival hoje (das 20h15 às 23h), amanhã (20h às 23h) e domingo (15h às 17h45).