Comunicação

TV ‘Portal Favelas’ mostra a cultura das comunidades no Rio

Com inauguração nesta semana, canal oferecerá produções que vão contar como polícia, milícias e fundamentalismo religioso têm alterado a vida nas comunidades

Tiê Vasconcelos/Voz das Comunidades
Favelas no Rio buscam protagonismo na comunicação com projeto de tevê integrado à comunicação digital

São Paulo – Começa a funcionar nesta semana a TV Portal Favelas, no Rio de Janeiro. A iniciativa, narrada por quem vive nas comunidades, vai mostrar o bom cinema de baixo orçamento produzido nas periferias, a música e a culinária locais. E também o credo multicultural, a solidariedade dos moradores, a representatividade negra e LGBT, entre outros temas. O projeto pretende contar, com sua própria voz, como a polícia, a milícia e o fundamentalismo religioso têm abalado a vida naquelas comunidades. 

“Um contraponto fundamental ao que fazem, historicamente, as emissoras comerciais”, afirma o professor e jornalista Laurindo Lalo Leal Filho. Em sua coluna no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, ele diz que “a iniciativa é um passo importante no campo da mídia alternativa”. Representa uma oportunidade para retomar as rédeas do Brasil que, como dizem os organizadores da TV, foi roubado do povo pelo golpe, pelo discurso de ódio e pelo fascismo”.

Rede de comunicação

O Portal Favelas é uma rede de blogs, TVs, rádios e jornais de várias favelas da capital fluminense. O projeto busca uma narrativa diferente da forma como faz a mídia comercial, com espetacularização da violência e criminalização dos moradores. Eles deixam claro, nas suas próprias palavras, que querem romper o silêncio superando o medo. E enfrentar a opressão para tomar nas mãos a cidadania que historicamente eles têm tido negada”, diz ainda o professor.

Pela primeira vez, destaca, “teremos no vídeo um contraponto aos programas sensacionalistas e policialescos. Muitos deles são responsáveis pelo ódio que se espalhou pelo país e que está em quase todas as emissoras brasileiras.”

“Quase sempre exaltando a violência contra moradores da periferia e das favelas, tornando a maldade uma coisa absolutamente natural. A história desses programas sensacionalistas policialescos é contemporânea à história da televisão no Brasil”, diz o professor.

Confira o comentário de Lalo Leal: