Manifesto musical

Ninguém solta a mão de ninguém: Antonio Nóbrega reúne artistas em ciranda contra o fascismo

Ciranda “Ninguém Solta a Mão de Ninguém”, manifesto musical, reúne artistas como Gilberto Gil, Fabiana Cozza, Chico César, Mônica Salmaso e Renato Braz

Reprodução

São Paulo – Em meio ao fim de semana em que ocorrem várias atividades da campanha Virada de Democracia, o músico, dançarino e folclorista Antonio Nóbrega lançou ontem (4) um novo clipe, com uma marchinha intitulada Ninguém Solta a Mão de Ninguém. A ciranda é um espécie de manifesto musical em favor da vida, da cultura e da democracia em tempos de ascensão global do nazifascismo.

A canção foi feita em parceria com Wilson Freire e a gravação do clipe, feita a distância, reuniu as vozes de Nóbrega, Ayrton Montarroyos, Chico César, Fabiana Cozza, Flaira Ferro, Gilberto Gil, Isaar, Mestre Anderson, Mônica Salmaso, Patrícia Bastos, Renato Braz, Rodrigo Bragança, Rodrigo Sestrem e Sofia Freire.

Participam ainda de Ninguém Solta a Mão de Ninguém os instrumentistas Cléber Almeida, Daniel Allain, Edmilson Capelupi, Guto Wirtti, Léo Rodrigues, Marcone Túlio, Matheus Prado, Reynaldo Izeppi, Toninho Ferragutti e Zé Pitoco. E também dançam Flaira Ferro, Isaar, Maria Eugenia Tita (solo trompete) e Rosane Almeida.

Ninguém solta a mão de ninguém

Uma onda diz vai, vai
Outra onde diz vem, vem
E de mãos dadas vão e voltam
Ninguém solta a mão de ninguém

Nossa ciranda, da maré é um movimento
Em tempos de isolamento a ciranda vai rodar
E vai fazer entre nós mais uma ponte
Alargando o horizonte, dos sertões até o mar

Demos as mãos, nesta roda virtual
A ciranda contra o mal, ela não pode parar
Pois de mãos dadas a corrente não se parte
Contra o ódio, viva a arte, nossa voz não vão calar

Nossa ciranda, une os republicanos
Contra todos os tiranos que estão a governar
É uma aliança entre as forças progressistas
Contra os nazifascistas que voltaram a se agrupar

E faz trincheira com os povos da floresta
Defendendo o resta, da fauna, flora e de ar
Contra o garimpo, que faz mata virar pasto
Agronegócio nefasto, que só pensa em lucrar

Nossa ciranda quer Congresso funcionando
STF julgando, cada qual no seu lugar
Sem ditadores, cala-boca, sem censura
Calabouço, sem tortura, sem exílio além-mar

Ela é maior que as muralhas lá da China
Do Wua-wuá à Conchinchina ela vai se alastrar
Como a ração, desses de tarrafa e rede
Arrastando a fome e a sede para além do lado de lá

Nossa ciranda faz a onda, faz um laço
E no mundo dá um abraço, e abraçada vai lutar
Contra o racismo, flagelo da humanidade
Pela luz, fraternidade, pelo mundo vai rodar

Dança no passo, da ciência pro futuro
Não dá mão ao obscuro, aos que negam o benvirá
E essa dança que nasceu em uma praia
Ganha o mundo, se espalha, está em todo lugar

O clipe está postado no canal do YouTube de Antonio Nóbrega


Edição: Paulo Donizetti de Souza