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Marisa Monte reúne sua obra e sua história no espaço Cinephonia

Cantora passou os últimos quatro anos resgatando de fitas cassete a cifras de músicas, de reportagens a vídeos e agora, “nas nuvens”, exibe Inclusive canções inéditas

Leo Aversa | #ColeçãoMM / Facebook
Lançado por Marisa Monte no dia 11, Cinephonia reúne também imagens e músicas inéditas

São Paulo – Em 1988, Marisa Monte gravava seu primeiro álbum, ao vivo, no Rio de Janeiro. De lá para cá, foram 15 discos, centenas de composições e mais de 10 milhões de cópias vendidas. Toda essa trajetória está reunida agora num espaço, “nas nuvens”, como diz MM: é o Cinephonia. O projeto foi anunciado pela cantora em suas redes sociais na quinta-feira (11).

“Queridos,
Espero que estejam todos bem
As saudades são enormes por aqui, mas por ora sigo em casa em quarentena, como deve ser.
Apesar das microferas que surgiram no mundo e colocaram os planos de todo mundo em suspenso, trabalhei do meu casulo para entregar pra vocês este conjunto de canções que batizei de Cinephonia.
São 30 músicas, fragmentos dos meus registros audiovisuais que não estavam disponíveis em áudio streaming até hoje.
Tomara que curtam os textos, os vídeos e as músicas.
Agradeço a todos os parceiros, amigos, músicos e cineastas que colaboraram comigo, especialmente pela presença luminosa do nosso amado Moraes Moreira.
Sei que não está sendo fácil pra ninguém, mas espero que a arte possa ajudar a dar suporte para suportar o insuportável. Um beijo grande pra todos, se cuidem pra que a gente possa se encontrar em breve novamente.

Som das imagens

No vídeo em que apresenta o projeto Cinephonia, Marisa Monte explica que Cine (movimento/imagem) e Phonia (som) “são fragmentos de trilhas sonoras dos meus dvds que foram lançadas nos meus registros audiovisuais, mas que nunca tinham sido lançadas em discos”. É o som das imagens. 

“Ao longo de todos esses anos, à medida que fui produzindo, criei uma quantidade imensa de informação”, afirma a cantora. “Arquivos dos mais diversos formatos que foram surgindo à medida que a tecnologia evoluía.”

Além de material em áudio e vídeo, fotografias, partituras, o Cinephonia reúne também reportagens sobre a trajetória de Marisa Monte, projetos gráficos, cartazes, registros de ensaios e da composição de muitas das canções que estão nas bocas, nas mentes de nos corações dos brasileiros.

Quatro anos de trabalho

A artista carioca passou os últimos quatro anos totalmente envolvida nesse trabalho que, como ela mesma diz, é totalmente invisível aos olhos do público. “Mas foi fundamental que eu tivesse acesso num só lugar a todos os dados produzidos durante a minha trajetória”, explica.

Para ajudar na organização de um material tão rico, contou com novos tipos de parceiros: arquivistas, biblioteconomistas, pesquisadores, restauradores de áudio e vídeo, técnicos de informática.

“Tudo isso agora faz parte desse arquivo virtual que mora nas nuvens, onde está organizada toda minha obra, catalogada, restaurada e digitalizada”, comemora a cantora no vídeo de apresentação do Cinephonia.

Fãs mais perto da musa

Explorar o Cinephonia é intuitivo e uma viagem pela obra e também pela história de Marisa Monte. Sobre a imagem de um estúdio de música, esferas pulsam sobre instrumentos, capas de discos, a decoração. Basta clicar para ser remetido a um dos álbuns da cantora ou à informação de que MM estudou bateria dos 9 aos 12 anos e que gostava de acompanhar com as baquetas os LPs que ouvia em casa.

Tocar na imagem de um mural permite aos fãs deixar mensagens para a musa. Vale contar uma história, registro de fotos ou vídeos de shows, imagens de ingressos. As imagens que forem selecionadas farão parte de um novo videoclipe da música Tempos Modernos, a ser lançado em 19 de junho. “Uma homenagem da Marisa aos fãs e dos fãs à Marisa.”