Luto

Aos 78 anos, morre escritor Sérgio Sant’Anna, vítima de coronavírus

Um dos maiores contistas brasileiros, ele estava internado desde 3 de maio. Em outubro, havia completado 50 anos de carreira

Reprodução YouTube
O escritor seguia em atividade e em seu perfil no Facebook, em 30 de abril, resumiu o que achava do país atualmente: "O Brasil é um filme de terror"

São Paulo – Morreu neste domingo (10), vítima de covid-19, o escritor Sérgio Sant’Anna. Ele tinha 78 anos e estava internado no Quinta D’Or, em São Cristovão, Zona Norte do Rio, desde 3 de maio. Em outubro, havia completado 50 anos de carreira.

Considerado um dos maiores contistas do Brasil, nasceu em 1941, no Rio de Janeiro. Seu primeiro livro de contos foi O sobrevivente, e após passar oito meses em um programa de formação de autores nos Estados Unidos, lançou três livros na década de 1970. A coletânea de contos Notas de Manfredo Rangel, repórter, em 1973, e os romances Confissões de Ralfo, em 1975, e Simulacros, em 1977.

Além de contos, Sant’Anna, venceu dois prêmios Jabutis com outros formatos, novela Amazona, de 1986, e o romance Um crime delicado“, de 1997, adaptado para o cinema pelo diretor Beto Brant em 2005. O escritor seguia em atividade e em seu perfil no Facebook, em 30 de abril, resumiu o que achava do país atualmente: “O Brasil é um filme de terror”.

Antes, também na rede social, o escritor havia falado sobre a pandemia. “Não quero assustar ninguém, mas acho a peste que nos assola simplesmente aterrorizante. Não encontro outro modo de reagir senão escrevendo”, disse.

“Ninguém andava mais indignado com o estado fascista das coisas do que Sérgio Sant’Anna. Mestre da ficção, perguntava como chegamos à realidade bolsonarista. Lá se foi o artista do conto brasileiro, como em um voo na madrugada, vítima de coronavírus. Descanse em paz”, postou no Twitter o escritor Xico Sá.

O escritor e historiador Luiz Antonio Simas, vencedor do Prêmio Jabuti de livro do ano de não ficção de 2016, também lamentou a perda pelo Twitter. “A morte de Sergio Sant´Anna é um cataclismo pra quem ama a encruzilhada em que duas artes sublimes se encontram: a literatura e o futebol. O futebol perdeu em pouco tempo Aldir e Sérgio: o compositor e o escritor que perceberam no drama do jogo matéria para a criação”, publicou.


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