Após o apocalipse

Documentário mostra a cultura que emerge das ruínas de Chernobyl

Nos 34 anos da maior tragédia nuclear da história, diretora de cinema discute com o público sobre as motivações que levam as pessoas a visitar os escombros da zona de exclusão

Thierry Vanhuysse
Zona de exclusão inclui a área urbana de Pripyat, quase engolida pela selva: cidade outrora abrigou 80 mil pessoas

São Paulo – O legado e as lições do acidente nuclear de Chernobyl estarão em discussão no próximo domingo (26), quando a maior tragédia nuclear da história completa 34 anos. A diretora de cinema brasileira com ascendência coreana Iara Lee vai debater com convidados, por meio de conferência no aplicativo Zoom, às 14h (horário de Brasília), as questões envolvidas na exploração da zona de exclusão da usina. A data é considerada Dia Internacional da Lembrança do Desastre de Chernobyl.

O debate marca a estreia de documentário de Iara Lee, Stalking Chernobyl: exploração após o apocalipse, que mostra como a área de exclusão virou palco de interesse da cultura underground para aventureiros, artistas, fotógrafos ou pessoas que têm alguma relação histórica com a tragédia.

O documentário pode ser assistido integralmente desde o dia 15 e estará à disposição do público até 3 de maio. A estreia aberta no YouTube e em outros canais digitais foi a forma que a diretora encontrou para contribuir com o período de isolamento em função da crise mundial do coronavírus. Inicialmente, a diretora previa manter o acesso ao filme até este domingo, mas atendeu aos pedidos por mais uma semana de divulgação.

A área de exclusão em torno do reator número 4, que explodiu no acidente, inclui o perímetro urbano de Pripyat, hoje uma cidade fantasma da Ucrânia, mas que até o acidente abrigava 80 mil pessoas. Os altos níveis de radioatividade ainda marcam a região. Por isso, as atividades na zona de exclusão são ilegais. Esse fato, no entanto, não impediu que cerca de 70 mil pessoas tivessem acesso à área em 2018, contingente que se tornou ainda maior em 2019, estimulado pela exibição no canal HBO de minissérie que dramatizou a tragédia.

Como mostra o documentário de Iara Lee, são muitas as razões que levam as pessoas a ingressar na área como stalkers (ou espreitadores). Boa parte delas tem alguma relação com os 500 mil “liquidadores” – trabalhadores que atuaram na área para atenuar os graves efeitos do acidente.

O documentário também homenageia o cineasta russo Andrei Tarkovsky (1932-1986), que em sua filmografia traz o filme Stalker. O termo também faz referência aos aventureiros que adentram uma zona de exclusão. Na película de Tarkovsky, esse aventureiro conduz pessoas a uma área em que as leis da realidade não se aplicam e que pode mudar o destino de quem a adentrar.

Confira o documentário:


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