Fim da novela

Regina Duarte ‘assume missão’ na Cultura e diz ter ‘97% de aprovação’

Classe artística foi pouco representada na cerimônia. Criticada por olavistas, #ForaRegina ocupou as primeiras posições do Twitter nas horas que antecederam a posse

Regina Duarte
Regina Duarte bateu continência para Bolsonaro e falou em oração

São Paulo – Com poucos representantes da classe artística presentes à cerimônia, em Brasília, a atriz Regina Duarte tomou posse como a nova secretária especial de Cultura do governo Bolsonaro, nesta quarta-feira (4), reivindicando “carta branca” e “porteira fechada” para comandar a pasta. Em resposta, foi lembrada pelo presidente do seu “poder de veto” nas nomeações.

Participaram da solenidade apenas poucos atores e parlamentares, servidores públicos e representantes de fã clubes da atriz.  Entre os representantes da classe artística estavam os atores Carlos Vereza, Rosamaria Murtinho e Mylla Christie, além de Maria Paula, ex-integrante do extinto programa humorístico Casseta e Planeta, da Rede Globo e o locutor de rodeios Cuiabano Lima.

Em seu discurso, Regina Duarte – que substitui Roberto Alvim, exonerado após episódio de apologia ao nazismo – disse que “se apresentava para a missão” e chegou a bater continência para o presidente.

A nova secretária afirmou que os brasileiros são “irmãos”, “mãos de um só corpo”, que têm liberdade e autonomia, mas devem se unir na adversidade, “se preciso, em oração”. Ela também afirmou que pretende “fazer muita cultura com os recursos que temos”, usando da criatividade, “como no meu tempo de amadora”.

Em abril do ano passado, o governo Bolsonaro anunciou mudanças para o financiamento de projetos culturais, como a redução do teto de valores financiados pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet, de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão. Pouco depois, recuou e elevou o limite para até R$ 10 milhões, mas apenas para musicais.

Ela afirmou que seu objetivo é o de “pacificação” e manter “permanente diálogo” com o setor cultural. Também defendeu “passar o chapéu” para arrecadar mais recursos para fazer “mais com mais”, além de “repartir com equilíbrio” as políticas de fomento entre as regiões do país.

Segundo a revista Veja, a nova secretária deve R$ 319,6 mil ao Fundo Nacional da Cultura, por irregularidades na prestação de contas da captação de recursos através da Lei Rouanet.

Autoestima em dia

A nova secretária disse ainda acreditar que conta com 97% de aprovação popular e que tirou essa certeza dos olhares que trocou com simpatizantes nas ruas, feiras e supermercados, desde sua indicação para o cargo. “Cruzava o olhar e, quando vinha aquele sorrisão confiante de esperança, eu já dizia: ‘É Bolsonaro’. Quando não era, baixava o olhar e saía de lado. É com essa blindagem de confiança e generosidade que estou conseguindo chegar até aqui”.

Pela manhã, porém, o #ForaRegina ocupou as primeiras posições entre os temas mais comentados no Twitter, após notícias de que a nova ministra demitiria da pasta seguidores do escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo.

Tempo perdido

Na sequência, Bolsonaro reconheceu que seu governo “deixou um ano para trás” na área da Cultura, criticando implicitamente os antecessores por ele escolhidos. Criticou os governos anteriores que teriam “cooptado” a cultura pela política e voltou a defender o baixo teto da Lei Rouanet.

Para ilustrar sua relação com a cultura, destacou que “ouvia música caipira” nos anos 1960. Segundo ele, as melodias ouvidas no rádio definem se a pessoa “vai chegar com vontade de trabalhar ou não”. ” A música é um ânimo, uma injeção de coragem. Temos que resgatar isso”, defendeu.