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Após 40 anos de luta, Parque Bixiga é aprovado pela Câmara de São Paulo

Após 40 anos de luta, projeto foi aprovado em segunda votação na Câmara Municipal e aguarda sanção do prefeito Bruno Covas

Teatro Oficina/Marcos Camargo
Com projeto do parque aprovado, preservação do Teatro Oficina e outros patrimônios ganha força

São Paulo – A luta de 40 anos para tornar a área ao lado do Teatro Oficina um parque municipal parece estar chegando a um resultado vitorioso para o conjunto da cidade de São Paulo. O projeto de criação do chamado Parque Bixiga – e consequente preservação do patrimônio histórico da região, na zona central da capital paulista – foi aprovado em segunda votação na Câmara Municipal e agora aguarda a sanção do prefeito Bruno Covas (PSDB). “O Teatro Oficina tem uma linguagem de que teatro e vida são impermeáveis. Ele é um teatro que tem uma função social, ele tem o interesse público em fazer mais”, disse a poeta, artista visual e atriz Cafira Zoé, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

O Oficina foi criado em 1958. A área que agora deverá ser destinada ao parque é um remanescente de mata preservada, do qual faz parte um rio, que está canalizado há quatro metros de profundidade e fica no entorno do teatro. Na década de 1980 os artistas receberam ordem para deixar o local ou comprar a área, porque o Grupo Silvio Santos, proprietário de parte do terreno, queria a área para construir um shopping.

Como reação, foi organizado um grande show em defesa do Teatro Oficina, que levou ao tombamento do espaço pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) de São Paulo e a desapropriação da área. Em 2010, foi a vez de o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombar o teatro.

“Esses tombamentos todos, sobretudo do Condephaat, criaram envoltórios que não são só do bem tombado Teatro Oficina, mas de outros bens tombados: a Casa de Dona Yayá, o Teatro Brasileiro de Comédia, o Castelinho da Brigadeiro e a Escola de Primeiras Letras. Isso faz ter uma coincidência aqui dentro desse terreno, tem uma sobreposição de áreas envoltórias de bens tombados. Então, durante muito tempo foram os órgãos de tombamento que seguraram a construção do empreendimento do grupo Silvio Santos”, explicou a arquiteta Marília Gallmeister.

No entanto, nos últimos anos houve uma mudança na avaliação dos órgãos e o empreendimento do Grupo Silvio Santos – com três torres de cem andares – acabou sendo autorizado. Mas ser um dos últimos pedaços de chão de terra livre do centro de São Paulo e ainda ter um rio foi determinante para que que o projeto do shopping não seguisse adiante. E, agora, na aprovação do Parque Bixiga.

“Importante falar que esse projeto, independente da aprovação dos dois órgãos, ele não vem sendo aprovado na Secretaria de Urbanismo da prefeitura justamente por conta do lençol freático. Ele faz um sombreamento no bairro, gigantesco. Essa luta de muito tempo é uma luta do Oficina e aí se entendeu que essa luta é muito importante para o bairro todo”, afirmou Camila Mota, atriz e diretora na companhia Uzyna Uzona.

Confira a entrevista completa




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