Cidadãos 'impugnados'

Críticas a Bolsonaro atravessam fronteiras e chegam ao carnaval da Europa

Além dos protesto nos blocos Brasil afora e de sambas-enredo de grandes escolas, desastre Bolsonaro figura em alegorias na Alemanha e em Portugal

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A conduta do presidente do Brasil não é exatamente o que se pode chamar de orgulho mundial

São Paulo – As manifestações contra Jair Bolsonaro atravessam fronteiras no carnaval 2020. Além dos gritos de “Ei, Bolsonaro…”, que assolam blocos carnavalescos Brasil afora, e dos sambas-enredo que protestam diante do governo do capitão, o carnaval da Europa também dá destaque à figura do presidente da República.

Reportagem da Deutsche Welle Brasil, emissora internacional da Alemanha, relata que Bolsonaro é uma das estrelas dos festejos carnavalescos de Colônia. “Entre as atrações no tradicional desfile da próxima segunda-feira (24/02), ponto alto do carnaval da cidade no oeste da Alemanha, está um carro alegórico com um boneco do presidente brasileiro, segurando a bandeira do Brasil atada a um palito de fósforo tamanho família e exibindo um largo sorriso, diante de árvores carbonizadas e sambistas seminuas e chamuscadas”, afirma a DW (clique na imagem para ir à reportagem).

carnaval 2020 na Alemanha via DW

A alegoria critica as queimadas na Amazônia. O diretor do desfile, Holger Kirsch, afirma em entrevista ao jornal local Kölner Stadt-Anzeiger que esse é seu carro preferido. A DW Brasil informa, ainda, que a sátira política sempre foi foco dos principais desfiles carnavalescos alemães, em cidades como Colônia, Mainz ou Düsseldorf.

Além de Bolsonaro, personagens como o presidente russo, Vladimir Putin, seu colega chinês Xi Jinping, o premiê britânico Boris Johnson, o líder norte-coreano Kim Jong-un, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a chanceler alemã, Angela Merkel, também são “homenageados”.

No Brasil, fora a folia e a esculhambação nos blocos de rua, pelo menos duas das mais tradicionais escolas do Rio de Janeiro, Mangueira e Portela, trazem menções pouco honrosas ao presidente.

“Favela, pega a visão/ Não tem futuro sem partilha/ Nem messias de arma na mão”, diz o samba da Mangueira.

“Índio pede paz, mas é de guerra/ Nossa aldeia é sem partido ou facção/ Não tem bispo, nem se curva a capitão/ Quando a vida nos ensina/ Não devemos mais errar”, traz o enredo da Portela.

‘Impugnação’ em Portugal

Ironia do destino, foi justamente um apoiador de Jair Bolsonaro que tornou conhecido outro “reconhecimento” internacional dos estragos promovidos pelo atual presidente da República do Brasil, relata reportagem da Fórum.

Bolsonaro figura na ala maléfica do monumento “Abracadabra, acorda Zé”, inaugurado no dia 8 de fevereiro, para dar início às festividades do Carnaval 2020 na cidade de Torres Vedras, em Portugal.

“Colocaram Bolsonaro como um personagem totalmente maligno, sem saber eles que Bolsonaro está revolucionando o Brasil e trazendo dignidade novamente. Fazendo o Brasil ser limpo, coisa que não vivemos há anos (…) Realmente o mundo tem que acordar e ter ‘Bolsonaros’ em todos os lugares”, disse o rapaz em sua rede social.

E ao estilo do ministro da Educação, Abraham Weintraub, o bolsonarista complementou: “Fica aqui minha ‘impugnação’ ao que colocaram aqui no centro de Torres Vedras, em Portugal”.

O monumento “Abracadabra! Acorda Zé!” representa o castelo de Maléfica, mestra do Mal. A alegoria conta ainda com Donald Trump como ocupante do trono de ferro. Seus auxiliares são Putin e Kim Jong-Un, orientado pela fada madrinha Hitler. Jair Bolsonaro não passa de um bruxo aspirante dessa magia negra, aprendendo com os líderes.