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Marighella estreia em 14 de maio. ‘Esquecimento é amigo da barbárie’

Primeiro trabalho de Wagner Moura como diretor enfrentou tentativas de censura e perseguição por parte do governo Bolsonaro

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Seu Jorge no papel principal: filme é o primeiro trabalho de Wagner Moura como diretor e já contou com algumas pré-estreias em festivais, sendo aplaudido de pé em Berlim no ano passado

São Paulo – A história que muitos não querem que seja conhecida finalmente ganha data de estreia nos cinemas. Marighella, o filme, vai estrear no dia 14 de maio. Para chegar no circuito, a obra teve de passar por ataques e tentativas de censura, especialmente do governo de extrema-direita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Hora de encher os cinemas do Brasil. O esquecimento é amigo da barbárie. O conformismo é a morte”, disse Mário Magalhães, escritor do livro que deu origem ao filme.

O filme é o primeiro trabalho de Wagner Moura como diretor e já contou com algumas pré-estreias em festivais, sendo aplaudido de pé em Berlim no ano passado. A biografia escrita por Mário Magalhães, Marighella: O homem que incendiou o mundo, retrata os últimos cinco anos de Carlos Marighella, líder revolucionário, guerrilheiro, escritor e político assassinado pela ditadura civil-militar (1964-1985) em 1969. Nas telas, Seu Jorge retrata o personagem principal e contracena com Adriana Esteves, Bruno Gagliasso, Humberto Carrão, entre outros.

Censura

Marighella foi planejado para estrear nos cinemas no dia 20 de novembro, por conta do Dia da Consciência Negra. Entretanto, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) impôs uma série de condições para o lançamento da obra, o que impediu a estreia em 2019. “É este o filme que não consegue estrear no Brasil. É esta a história que não querem que seja conhecida. É este o personagem que pretendem condenar ao esquecimento”, disse Mário Magalhães na ocasião, denunciando a censura.

Intimidação e censura contra o cinema nacional são práticas corriqueiras em um Brasil sob a sanha ultraconservadora da extrema-direita. Ataques de Bolsonaro e de pessoas ligadas ao governo são constantes e ferozes. A Cultura, ao lado da Educação, foram escolhidas como inimigas do bolsonarismo. No início da semana, após o documentário Democracia em Vertigem, da cineasta Petra Costa, ser indicado ao Oscar, Bolsonaro não perdeu tempo. “É para quem gosta do que o urubu come”, disse. Na mesma fala, reconheceu que não assistiu ao filme.

Durante a ditadura civil-militar, Marighella foi a metonímia do inimigo da vez. Rotulado pelo delegado Lucio como “inimigo público número um”, o revolucionário foi amplamente atacado pela imprensa e setores conservadores. A ação de Marighella foi radicalizada conforme a ditadura mostrava mais suas garras opressoras. Nascido em 1911, atuou durante anos no PCB, o Partidão, com quem rompeu durante a ditadura para fundar a Ação Libertadora Nacional (ALN).

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