Democracia e liberdade

Festival Verão Sem Censura faz contra-ataque à opressão do governo Bolsonaro

Evento tem início neste sexta (17) apresentando peças de teatro, filmes, shows, exposições, entre outras iniciativas, censuradas pela onda conservadora de extrema-direita

Alberto Veiga/Daspu
Entre as atividades, a grife Daspu, dedicada a reivindicações de prostitutas, desfila às 00h desta sexta (17)

São Paulo – A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, promove a partir desta sexta-feira (17) o Festival Verão Sem Censura, que celebra a democracia e a liberdade de expressão com manifestações culturais oprimidas pelo governo de Jair Bolsonaro.

Desde a campanha eleitoral, o presidente menciona seu desprezo pela cultura. Em posse do cargo, um dos seus primeiros ataques foi desmonte da Ministério da Cultura, hoje secretaria. Obras de diferentes segmentos foram ainda censuradas pelo Executivo, que chegou a declarar que “filmes como o da Bruna Surfistinha” não poderiam ser produzidos com dinheiro público.

Agora, não só a obra cinematográfica, como outros filmes relacionados a temáticas dos direitos humanos, LGBTs, mulheres, entre outras, serão exibidos gratuitamente. São mais de 45 atividades programadas para as cinco regiões da capital paulista, durante 15 dias de evento, com peças de teatro, filmes, debates, shows, exposições, performances e blocos de carnaval.

“Esse momento é de suma importância e fundamental para nós darmos uma reposta a esse desgoverno e, até diria, ou ousaria dizer, um contra-ataque, um contragolpe a essa necropolítica, política nefasta, que está posta tanto no Brasil quanto no estado de São Paulo, tomado por uma onda conservadora da extrema-direita, do patriarcado, da misoginia, do machismo estrutural da nossa sociedade”, destaca em entrevista à Rádio Brasil Atual a codeputada estadual pelo mandato coletivo da Bancada Ativista (Psol) Erika Hilton, que também fará parte do festival.

Confira a reportagem e a programação


Praça das Artes
17/01
20h00 Arnaldo Antunes
18/01
21h30 Conversa com a Déborah Secco e Raquel Pacheco
22h00 Exibição do filme “Bruna Surfistinha”
00h00 Daspu – Desfile de abertura
00h30 Desculpa Qualquer Coisa com performance das Maravilhosas Corpo de Baile

30/01
22h Pussy Riot com participação de Linn da Quebrada

Centro Cultural São Paulo

17/01
21h Caranguejo Overdrive – Aquela Cia de Teatro
18/01
21h Caranguejo Overdrive – Aquela Cia de Teatro

19/01
15h Vida Invisível – Sala Lima Barreto

17 a 31/01
Exposição com cartazes de filmes censurados
18/01 – Circuito Spcine
16h Sessão de curtas LGBT
Vando Vulgo Vendita
O Órfão
Preciso dizer que te amo
Reforma
Tea for two
Swinguerra

17 a 31/01
Exposição “Corrompidas” de Felipe Cama – Piso Caio Gracco

17 a 31/01
Instituto Temporário de pesquisa sobre censura – Sala de ensaio II e sala de vidro.
A Casa 1 (casa de cultura e acolhimento LGBT) propõe um mergulho crítico sobre a trajetória da censura com: aulas públicas, grupo de estudos aberto, gráfica e construção de acervo de livros e pesquisas sobre o tema.

19 /01 – Circuito Spcine
15h Corpo Elétrico
17h Sessão de médias
Verona
Nova Dubai
19h Bixa Travesty

19/01
20h Caranguejo Overdrive – Aquela Cia de Teatro

29/01
19h Exibição do longa metragem “Act and Punishment” de Yevgeni Mitta sobre a trajetória do grupo Pussy Riot.
20h30 Debate com as integrantes da banda Pussy Riot – Sala Adoniran Barbosa (distribuição de ingressos 2h antes)
21h Lançamento do livro “Riot Days” de Maria Alyokhna, fundadora do grupo Pussy Riot. Tradução de Marina Damaros.

30/01
18h Jup do Bairro convida Bixarte – Sala Adoniran Barbosa

Biblioteca Mário de Andrade
17/01 a 31/01
19h – Banidos – Obras censuradas no decorrer de três séculos fazem parte dessa exposição do acervo de raridades da Biblioteca Mário de Andrade. Incluem-se desde títulos como Comedia Eufrosina, de Jorge Ferreira de Vasconcellos, peça de teatro do século 16 censurada pela Igreja e incluída no Index de livros proibidos; chegando a Capitães da Areia, de Jorge Amado, incinerado em praça pública pelo Estado Novo, em 1937.
No dia da abertura, 17 de janeiro, 19h, bate-papo vai reunir Ignácio de Loyola Brandão, romancista brasileiro autor de obras que foram censuradas na época da ditadura; e Laura Mattos, autora do recente Herói mutilado: Roque Santeiro e os bastidores da censura à TV na ditadura. Moderação: Maria Fernanda Rodrigues

18 e 19/01
19h – O Caderno Rosa de Lori Lamby – Uma menina de oito anos escreve um diário com peripécias sexuais. Peça baseada em obra homônima de Hilda Hilst, na fronteira onde se encontram a irrealidade, o tabu, o desejo e a inocência da imaginação infantil. Iara Jamra vive o papel, com direção geral de Bete Coelho e direção de arte de Cassio Brasil.
21/01
19h – Cabaré da Fossa – Entre o humor e o drama, essa leitura homoerótica inclui também canções e cenas de filmes e ficará a cargo de Caetano Romão, Ismar Tirelli Neto e Ricardo Domeneck, com a especialíssima participação de Horácio Costa.
19h – Uma aula sobre 1984 – O romance distópico de George Orwell, um dos livros que mais nos fizeram discutir sociedades totalitárias, acaba de completar 70 anos e será apresentado pela historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, autora do recente “Sobre o autoritarismo”.
23/01
19h – “Erotismo censurado – Uma história de autores e obras malditos, de Sade a Hilda Hilst” será apresentado nesta aula de Eliane Robert Moraes, filósofa e ensaísta, uma das mais destacadas especialistas em literatura erótica e proscrita. Trechos escolhidos serão lidos pela atriz Helena Ignez.

24, 25 e 26/01
19h – Navalha na Carne Negra – A peça de 1967 foi vetada pela ditadura, e seu autor, Plínio Marcos, chegou a ter a integralidade de sua obra banida dos palcos. Em cena, tudo começa com o dinheiro deixado pela prostituta Neusa Sueli para seu cafetão Vado. Com Lucélia Sérgio, Raphael Garcia e Rodrigo dos Santos, e direção de José Fernando Peixoto de Azevedo.

25/01
das 10h às 13h, das 14h às 17h – Oficina de poesia sem censura, com Angélica Freitas – Neste laboratório, comandado pela poeta Angélica Freitas (Rilke Shake, 2007; Um útero é do tamanho de um punho, prêmio APCA 2012) os participantes utilizam o caderno como espaço de experimentação para aguçar suas habilidades poéticas. 20 vagas, oficina sequencial, das 10h às 13h, das 14h às 17h.
28/01
19h – Proibidas – A revista literária “Puñado”, editada por um coletivo de mulheres, vai fazer um clube de leitura especial, com trechos de autoras latino-americanas brancas e negras que foram censuradas, proibidas ou sofreram resistência, seja pelo teor político, seja pelo teor moral. Com Laura Del Rey e Raquel Dommarco Pedrão, organizadoras da Puñado, e as convidadas Hailey Kaas, Jéssica Balbino, Luciana Bento e Vanessa Ferrari.

29/01
19h – Marighella – Personagem da história política brasileira que enfrentou censura tanto em vida quanto após sua morte é o tema desse diálogo que reúne o escritor e jornalista Mário Magalhães, autor de sua biografia, e Maria Marighella, sua neta, que está à frente do relançamento de volume de escritos, “Chamamento ao povo brasileiro”. Moderação: Rodrigo Casarin.

30/01
19h – Mulheres nos anos de chumbo – As romancistas Claudia Lage e Maria Valéria Rezende e a historiadora Maria Claudia Badan Ribeiro conversam sobre a escrita ficcional e historiográfica que reconstitui a atuação feminina e a repressão de 1964 à reabertura política. Participação especial de Adelaide Ivánova, que apresentará duas performances. Mediação: Robson Viturino

30 e 31/01
19h – “Calabar, o elogio da traição” – Por uma década ficou censurada esta peça de teatro musicada de Chico Buarque e Ruy Guerra que recupera a figura de Domingos Fernandes Calabar, que tomou partido dos holandeses, contra a coroa portuguesa, durante a Insurreição Pernambucana. Esta adaptação para leitura dramática, com onze atores e três músicos, é assinada por Renata Palottini e é um projeto do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura, da ECA-USP. Direção de Roberto Ascar e direção musical de Jean Garfunkel.

Centro Cultural Olido
17, 18 e 19/01 – Sala Paissandu
18h Abrazo – Grupo Clowns de Shakespeare
17, 18 e 19/01 – Sala Olido
21h Gritos – Cia Dos à Deux

Centro Cultural da Diversidade
18/01
21h A Mulher Monstro – S.E.M. Cia de Teatro
19/01
19h A Mulher Monstro – S.E.M. Cia de Teatro
25/01
21h Sombra – Teatro da Pomba Gira
26/01
19h Sombra – Teatro da Pomba Gira

Teatro Flávio Império
18/01
20h O Crime da Cabra – Cia do Sal

19/01
19h O Crime da Cabra- Cia do Sal
29/01
20h Lembro Todo dia de Você – Núcleo Experimental
30/01
20h Lembro Todo dia de Você – Núcleo Experimental

Vila Itororó
18 e 19/01
15h Blitz, o império que nunca dorme – Trupe Olho da Rua

25 e 26/01
20h Quando Quebra Queima – Coletiva Ocupação

Centro Cultural da Juventude
17 e 18/01
20h Domínio Público
22/01
20h Res Pvblica 2023 – Grupo A Motosserra Perfumada
23/01
20h Res Pvblica 2023 – Grupo A Motosserra Perfumada

Centro de Culturas Negras
25 e 26/01
16h Macacos – Cia do Sal

Praça Ramos de Azevedo
31/01
23h Cortejo com a Espetacular Charanga do França
00h Festa com Tarado Ni Você
01h Minhoqueens

Theatro Municipal

17/01
23h Rennan da Penha (Sacada)

29/01
20h Divinas Divas

31/01
19h Roda Viva
22:30 Concentração da Espetacular Charanga do França (Na frente do Theatro)
23h Cortejo: Roda Viva e Espetacular Charanga do França

OBS.: Todas as apresentações de teatro serão seguidas de mediação.

Palco – Rua Vergueiro, 1200
30/01
20h Pussy Riot com participação de Linn da Quebrada

PARCERIA

CASA 1
17 a 31/01
Projeto Instituto Temporário de pesquisa sobre censura – um mergulho crítico sobre a trajetória da censura