nem tudo são flores

Diretoras, negros, latinos e asiáticos são esquecidos no Oscar

Democracia em Vertigem está no Oscar, uma vitória para o Brasil; mas Oscar 2020 segue com baixíssima representatividade

reprodução, Nós
Lupita Nyong'o está incrivelmente assustadora em "Nós". Mesmo assim, não foi indicada

São Paulo – O ano de 2019 foi incrível para o cinema e a lista dos indicados ao Oscar 2020 finalmente saiu. No panteão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, alguns nomes já eram mais do que esperados. Boa parte dos nomes já figurou em outros prêmios desta temporada, como o Globo de Ouro e o Critics Choice Award, que foram entregues no primeiro domingo do ano (5) e ontem (12), respectivamente.

Para o Oscar, algumas surpresas. A boa notícia para o Brasil foi a confirmação do documentário Democracia em Vertigem (2019), da cineasta Petra Costa, concorrendo ao prêmio de Melhor Documentário. A narrativa da mineira expõe ao mundo o que foi o golpe de Estado de 2016 no Brasil, que retirou a presidenta eleita, Dilma Rousseff (PT), e iniciou um processo político que levou a extrema-direita ao poder.

Mas nem tudo são flores no Oscar. Algumas grandes injustiças ainda saltam aos olhos do público e até mesmo da crítica especializada. Como de costume, o prêmio maior do cinema de Hollywood está absolutamente tomado por homens brancos. Uma ausência na lista é gritante. O estranhamento foi tanto que tomou as redes sociais. A Academia resolveu “esquecer” de Lupita Nyong’o, que entregou um trabalho brilhante no filme Nós (2019), do diretor Jordan Peele.

Entre os indicados para Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante, apenas a britânica Cynthia Erivo concorre por sua performance como protagonista em Harriet (2019). Por esse filme, a talentosa atriz também disputa Melhor Canção Original, com a música Stand Up.

Eddie Murphy também não está no Oscar. O ator ganhou grande destaque no Critics Choice, com um prêmio especial por sua carreira, além de concorrer na categoria de Melhor Ator por Meu Nome é Dolemite (2019), de Craig Brewer. Na disputa, acabou sendo superado pelo grande favorito ao Oscar, que vem colecionando prêmios por onde concorre, Joaquim Phoenix, interprete de Coringa (2019), de Todd Philips.

A lista de injustiçados ainda contempla Jennifer Lopez. J-Lo era figurinha repetida na grande maioria das apostas para o Oscar mas, infelizmente, não foi dessa vez que a norte-americana de origem latina concorreu como Melhor Atriz por seu papel em As Golpistas (2019), de Lorene Scafaria. Outra surpresa foi a não indicação de Beyoncé na categoria de Melhor Canção Original pela música Spirit, trilha do filme O Rei Leão (2019), de Jon Favreau.

#OscarSoMale

A atriz norte-americana de origem chinesa Awkwafina figurou nas premiações que antecederam ao Oscar pelo filme A Despedida (2019), de Lulu Wang. Além da atriz, há quem defenda que Lulu Wang poderia figurar na lista entre diretores, ou mesmo de Melhor Filme. Acontece que, apenas diretores homens concorrem nessas, que são as principais categorias do prêmio.

Alguns outros longas de destaque dirigidos por mulheres poderiam tranquilamente compor as listas de Melhor Filme e Melhor Direção. Foi o que aconteceu no Globo de Ouro, Critics Choice e no British Academy Film Awards (Bafta); concorreram filmes como Adoráveis Mulheres (2019), de Greta Gerwig, Um Lindo Dia na Vizinhança (2019), de Marielle Heller, e o próprio A Despedida.