Diversidade e preservação

Em festival, restaurantes levam à mesa ingredientes dos povos indígenas e quilombolas 

Cardápio do Festival pelos Povos da Floresta, em São Paulo, traz diversidade ambiental e cultural de diferentes regiões do país. Oito restaurantes e bares participam do evento até domingo

Divulgação
Para a valorização destas cadeias sustentáveis, pratos destacam a produção de castanha, farinhas, especiarias, óleos, mel, entre outros.

São Paulo – Oito restaurantes e bares da cidade de São Paulo apresentam pratos preparados com ingredientes cultivados no Vale do Ribeira, em São Paulo, no Xingu, no Mato Grosso e no Pará, e no Rio Negro, entre o Amazonas e Roraima. É o Festival pelos Povos da Floresta, iniciativa do Instituto Socioambiental (ISA) e da rede Origens Brasil que valoriza a economia da biodiversidade dos povos indígenas e das comunidades extrativistas e quilombolas.

Ganham destaque no cardápio castanhas, farinhas, especiarias, óleos, mel, entre outros produtos cultivados de modo sustentável, sem uso de agrotóxicos e que mantêm a floresta em pé. O festival, que teve início no sábado (7), segue até domingo (15) levando diversidade ao público e valorizando a cultura desses povos, como destaca o assessor do ISA Rodrigo Junqueira em entrevista à Rádio Brasil Atual. 

“Fizemos essa parceria para que, através desses pratos, eles consigam aproximar essas culturas e essa realidade tão pouco conhecida do brasileiro para cada um que está nos centros urbanos. Foi assim que surgiu essa ideia, ainda mais em um momento tão difícil que a gente está vivendo em que há intolerância e desrespeito a toda essa diversidade socioambiental e cultural de inúmeros povos que habitam nosso Brasil”, destaca o assessor.

Entre os restaurantes que participam do festival está o Tordesilhas, localizado no bairro dos Jardins, zona oeste da capital paulista, que no cardápio apresenta uma moqueca de pupunha com óleo de pequi Kisêdjê, do parque indígena do Xingu, e farinha de mandioca do Quilombo Porto Velho, do Vale do Ribeira. Chef do restaurante, Mara Salles explica que o uso desses alimentos dos povos tradicionais é fundamental para evidenciar que existem outras maneiras de produzir que permitem que a floresta sobreviva, ao contrário do agronegócio.

“Esses produtos que nos chegam agora, especialmente, são verdadeiras jóias, são feitos pelas mãos de pessoas que compreendem o ciclo das estações, que guardam a floresta e têm um profundo respeito pela terra. E, cada dia mais, a gente está precisando desses guardiões, viver com um pouco mais de ar puro e menos com os impactos do aquecimento global”, observa Mara, que é também pesquisadora e autora do livro Ambiências: histórias e receitas do Brasil, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Os pratos variam de R$ 12 a R$ 75. Você pode conferir a lista de restaurantes que participam do Festival pelos Povos da Floresta e os cardápios, clicando aqui.

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