uma tira de ódio

Em ‘Piada Pronta’, ilustrador reflete sobre Bolsonaro e seus seguidores

Autor de desenhos ácidos e críticos, Leandro Assis retrata declarações grotescas do presidente e critica preconceito de parte da sociedade

REPRODUÇÃO
Com as declarações do presidente do Brasil em suas lives, diversos quadrinhos ácidos e bem humorados foram criados por Leandro Assis

São Paulo – Para o artista gráfico Leandro Assis, o governo Bolsonaro é a “inspiração perfeita” de suas tirinhas e quadrinhos. A partir  das declarações do presidente do Brasil em suas lives, como a de “as pessoas podem fazer menos cocô para melhorar o clima do planeta”, o autor coleciona diversos quadrinhos ácidos e bem humorados.

Para debochar do presidente, Assis se utiliza de um perfil no Instagram, mas também retrata outras figuras que destilam ódio, como o governo do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, em outra série, Figuras Odiosas do Brasil. “Eu era roteirista e me tornei quadrinista bem no momento que esse governo desastroso entrou no poder. É muito duro aguentar ver amigos e parentes ainda defendendo o que ele faz, então a maneira de extravasar é pelo desenho. Esse governo é uma piada pronta, mas o primeiro impulso foi desenhar as figurinhas odiosas”, conta Leandro, em entrevista às jornalistas Ana Rosa Carrara e Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

Não é só o governo Bolsonaro que inspira o quadrinista. A classe média brasileira que ajudou a eleger o atual presidente também é retratada em suas obras. Em Os Santos – Uma tira de ódio, ele mostra a relação de uma família com a empregada doméstica Edilsa, que sofre com o racismo e assédio moral por parte dos patrões.

Em uma das tiras, Assis mostra Edilsa acordando cedo, pegando sua condução e enfrentando assédio sexual na rua, enquanto os patrões dormem. Ao chegar no trabalho, é esculachada pela patroa. “A periferia acorda mais cedo para que a classe média alta tenha o pão e a manteiga na mesa. Há uma falta de empatia, as pessoas não percebem a realidade do outro. Eu fiz muitas tiras sobre o governo e aquilo estava me limitando, então quis retratar as pessoas que elegeram o Bolsonaro e essa falta de tolerância”, explica o desenhistas.

Ele também comenta o episódio terrorista ocorrido na última terça-feira (24), na sede do canal do Youtube Porta dos Fundos, em que um grupo de extrema-direita com a bandeira integralista, que em dezembro do ano passado invadiu a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, reivindicou a autoria do ataque à sede da produtora.

“Se não fosse tão grave, pareceria piada. Movimento Integralista é coisa dos anos 30, totalmente nazista e ataca a liberdade de expressão. É um horror, assim como a eleição de Bolsonaro. O presidente não é o culpado disso, mas é o reflexo do brasileiro preconceituoso. Ter integralista, hoje em dia, seria uma piada do Porta dos Fundos de tão loucura”, afirmou.

Ouça a entrevista: