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Incompetência?

Subordinar Cultura ao Turismo segue a mesma lógica do governo Bolsonaro que ameaça a Ciência

Ideia é a submissão à ala ideológica. No caso da Cultura, agravante é ir para uma pasta conduzida por um acusado de ligação com laranjas do PSL 
Publicado por Cida de Oliveira, da RBA
09:46
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Reprodução

Dramaturgo Roberto Alvim, que ofendeu Fernanda Torres, é o titular da secretaria de Cultura, transferida hoje para o Ministério do Turismo

São Paulo – Edição extraordinária da tarde desta quinta-feira (7) do Diário Oficial da União informa a nomeação do dramaturgo Roberto Alvim, nome artístico de Roberto Rego Pinheiro, para ocupar a Secretaria Especial da Cultura. Pela manhã, o Diário já havia formalizado a transferência da secretaria para o Ministério do Turismo, comandado pelo ministro Marcelo Álvaro Antônio, acusado de envolvimento com candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais.

Alvim é o mesmo que usou as redes sociais para ofender a atriz Fernanda Montenegro por ter posado para fotos fantasiada de bruxa a ser queimada com livros. E que em agosto anunciou que lançaria uma “máquina de guerra cultural”, chegando a convocar “artistas conservadores”.

Com a transferência para o Turismo, foram junto com a secretaria especial a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, Comissão do Fundo Nacional de Cultura e mais seis secretarias. Além disso, as competências sobre a política nacional de cultura; proteção do patrimônio histórico, artístico e cultural, regulação dos direitos autorais; assistência ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária nas ações de regularização fundiária, para garantir a preservação da identidade cultural dos remanescentes das comunidades dos quilombos; desenvolvimento e implementação de políticas e ações de acessibilidade cultural; e  formulação e implementação de políticas, programas e ações para o desenvolvimento do setor museal.

Em artigo, o editor do Direto da Ciência, Maurício Tuffani, destaca a transferência para o Turismo como mais um golpe contra a Cultura, que no início do governo já havia sido rebaixada a uma secretaria no âmbito do Ministério da Cidadania, sob o comando de Osmar Terra.

“Na verdade, não dá para acreditar que haja tanta incompetência. Tudo indica que por trás da avacalhação, plano é desenraizar completamente a área da Cultura para submetê-la com eficácia às diretrizes da ala ideológica do governo”, escreveu, lembrando que o ex-deputado federal Marcos Soares (DEM-RJ), filho do líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, missionário R.R. Soares, é o mais cotado para assumir a secretaria.

Tuffani avalia que, no final das contas, muito além de questões orçamentárias, “a razão de ser da truculência contra a Cultura é a mesma da investida que chegou a ser ensaiada contra a Ciência e Tecnologia –  e que por enquanto está apenas arrefecida – por meio dos planos de fusão da Capes com o CNPq e de esvaziamento da Finep. Assim como nos Estados Unidos sob Donald Trump, como na Hungria sob Viktor Orbán e em outros países atingidos pelo avanço do ultraconservadorismo, no Brasil cultura e ciência também estão sob ataque.”