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De 15 a 19 de novembro

Evento em São Paulo discutirá o desenvolvimento da arte negra no estado

O fomento ao teatro, a dança, circo e a cultura popular são alguns dos temas que serão abordados no 1º Fórum de Performance Negra de São Paulo
Publicado por Luciano Velleda, para a RBA
12:07
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Divulgação

Objetivo do 1º Fórum de Performance Negra de São Paulo é fortalecer os grupos artísticos para exigir políticas públicas mais efetivas voltadas às artes negras

São Paulo — Começa na próxima sexta-feira (15) e se estende até o dia 19, o 1º Fórum de Performance Negra de São Paulo, no Centro Cultural Olido e no Centro de Referência da Dança (CRD), ambos no centro de São Paulo. Com o tema “Estéticas Negras e Políticas Públicas rumo ao futuro: como a memória da diáspora e as intersecções culturais podem alimentar as multipluralidades performáticas negras”, o evento reunirá grupos e coletivos de artistas negros para pensar, dialogar e fomentar a arte negra no estado de São Paulo. Com entrada franca, a programação inclui mesas de debates, grupos de trabalho e apresentações de performances e espetáculos de teatro, dança, circo e cultura popular.

O Fórum Paulista é continuidade do Fórum Nacional de Performance Negra, criado em 2005 e realizado durante quatro anos em Salvador, com reflexões estéticas e conquistas no âmbito das políticas públicas, fomentando a produção performática negra em todo o Brasil.

“Estamos nos reunindo para discutir as questões não só do teatro e da dança, mas também da performance, da cultural popular e do circo”, explica a atriz e diretora Lucélia Sérgio, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual.

Ela destaca que um dos objetivos do evento é fortalecer os grupos para exigir políticas públicas mais efetivas voltadas às artes negras, além de se fortalecer esteticamente. “O encontro dos grupos faz com que a gente conheça diferentes estéticas. Se formos falar de arte negra, e se pensar que fica tudo no campo do racismo ou da luta pela sobrevivência, a gente coloca essa arte num lugar muito medíocre. Na verdade, a arte negra tem múltiplas facetas e várias referências estéticas”, afirma.

Nesta edição, o 1º Fórum de Performance Negra de São Paulo é organizado e tem curadoria dos grupos e coletivos Invasores Cia. Experimental de Teatro Negro, Cia Os Crespos, Coletivo Negro e Cia Um Brasil de Teatro, representados pela Cooperativa Paulista de Teatro. O evento pretende fomentar um diálogo em escala estadual sobre a importância da criação e manutenção de políticas públicas para as artes negras e suas especificidades estéticas.

Professor de Artes Cênicas, Max Um enfatiza que, até 2005, quando foi realizado o primeiro Fórum Nacional, na Bahia,  não havia nenhum tipo de fomento específico para a arte negra. “Teoricamente os editais eram abertos para todos, mas quando você olhava os resultados, não havia a acessibilidade da população negra em mínima proporção e representação, em qualquer edital que fosse, de artes plásticas, artes visuais ou artes cênicas.”

Para ele, isso era consequência de uma questão estética e subjetiva no processo de avaliação. “Pessoas de uma determinada classe social, normalmente branca e acadêmica, não tinham o olhar de importância com outras temáticas que não dialogavam com a subjetividade das pessoas que avaliavam”, pondera.

Segundo Max Um, à medida que começaram a existir editais específicos, os grupos de arte negra passaram a ter cada vez mais força, com temas que, até então, não eram abordados. O professor de artes cênicas ressalta, porém, que o fomento à cultura tem diminuído no estado de São Paulo, tendo baixado de 0,63% do orçamento do ano passado para atuais 0,29%. “Temos saudade daquela miséria. É horrível ter saudade de 0,63%”, lamenta, destacando que os artistas negros ficam sempre com a menor fatia do orçamento apesar de representaram 54% da população do estado.

O Centro Cultural Olido fica na Av. São João, 473 e o Centro de Referência da Dança, na Galeria Formosa – Baixos do Viaduto do Chá, s/n.

Ouça a entrevista na íntegra