Cantadeiras urbanas

Em novo álbum, grupo Clarianas une ritmos regionais com o discurso urbano das periferias

No recém lançado "Quebra Quebranto", grupo fala de feminismo, extermínio da população negra, herança indígena e religiosidade afro brasileira

Rogério Gonzaga
Segundo as Clarianas, o novo álbum é um disco para evocar proteção e cura, com canções que convocam e, ao mesmo tempo, fazem um chamado para reflexões sobre temas sociais urgentes

São Paulo — O programa Hora do Rango recebe nessa quinta-feira (21) o grupo de cantadeiras urbanas chamado Clarianas, a partir do meio-dia, na Rádio Brasil Atual. O grupo se caracteriza por investigar a voz da mulher “ancestral” na música popular do Brasil.

“A voz é o fio condutor que revela um amplo universo sonoro, genuinamente brasileiro, que vai desde os cânticos indígenas aos aboios sertanejos, passando pelas brincantes do côco, ladainhas do catolicismo popular, sambas de roda, maracatus, xotes, rezas e tambores africanos”, explica o material de divulgação das Clarianas.

O grupo é composto Martinha Soares, Naloana Lima e Naruna Costa (cantadeiras tocadeiras), Carla Raiza (rabequeira), Giovani Di Ganza (violão e viola caipira), Sandro Lima (baixo, guitarra e violão) e Jackie Cunha (percussão).  

Com canções autorais que documentam o cotidiano da população periférica brasileira, em sua maioria negra, Clarianas carrega o canto-manifesto protagonizado pela fala feminina. Depois de lançar o primeiro álbum, Girandêra (2012), o grupo apresentou esse ano o segundo disco, Quebra Quebranto, em que propõe a união da sonoridade da música regional brasileira com o discurso urbano dos guetos das grandes metrópoles.

As novas canções falam de empoderamento feminino, extermínio da população negra, herança indígena e religiosidade afro brasileira, sempre cantado pelas “lavadeiras” e acompanhado de tambores e harmonias regionalistas.

O novo álbum tem as participações especiais de Chico Cesar, Ilu Oba de Min, Dani Nega, Marcelo Pretto e Lenna Bahule, além dos músicos convidados como André Ricardo (Horoya), Rafael Franco (Digeridoos), Sandro Bueno (Gaita de Fole) e os pífanos de Tanaka do Pife.

“É um disco para evocar proteção e cura, com canções que convocam, ao mesmo tempo, um chamado para reflexões sobre temas sociais urgentes, e acalanto, esperança e fé na beleza das cantorias populares”, diz as Clarianas.

O programa

Hora do Rango, apresentado por Colibri Vitta e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), recebe ao vivo, de segunda a sexta-feira, ao meio-dia, sempre um convidado diferente com algo de novo, inusitado ou histórico para dizer e cantar. Os melhores momentos da semana são compilados e reapresentados aos sábados e domingos, no mesmo horário.