Força das águas

Em seu primeiro álbum solo, Mariana Furquim reverencia Iemanjá, deusa e mulher poderosa

Embalado por ritmos afro-brasileiros, "Princesa de Aiocá" tem um significado musical e existencial para a cantora paulistana

Antonio Brasiliano/Divulgação
“Esse álbum foi planejado, batalhado, visceral. Estou inteira nele. Todas as canções foram delicadamente escolhidas, refletindo a minha verdade. Tem muito significado para mim, não apenas musical, mas existencial", explica Mariana, sobre o primeiro disco solo

São Paulo — A cantora Mariana Furquim é a convidada do programa Hora do Rango desta terça-feira (3), a partir do meio-dia, na Rádio Brasil Atual. Nascida na musical família Ozzetti, Mariana começou a cantar ainda na adolescência, há 15 anos participa de rodas de samba, e agora lança seu primeiro álbum solo, Princesa de Aiocá. Com 11 faixas produzidas por Dante Ozzetti, o título do disco faz alusão a um dos nomes que Iemanjá recebe na Bahia e celebra a “rainha das águas e padroeira dos pescadores”.

“Esse projeto é uma extensão daquilo que venho pesquisando desde 2014, quando divulguei o meu primeiro EP. Enxergo a música como conexão espiritual e fonte de energização. Por isso, cantar essa deusa, que reverencio em tudo que faço, tem sido um processo de muita imersão na potência feminina, no sagrado, nas sensações, histórias, mitos, mistérios e lendas desse universo tão forte e acolhedor. Iemanjá é mulher, é mãe e tem um poder de transformação que todas nós também temos. Precisamos despertar pra isso e quis que o meu álbum, de alguma maneira, fosse embalado por essa mensagem”, explica Mariana Furquim.

O repertório do álbum é essencialmente baseado em ritmos afro-brasileiros, com arranjos contemporâneos e a inclusão de elementos eletrônicos. Entre as canções, para abrir os caminhos, Omim de Todos os Mistérios/Ondoiajuê, seguida de Rainha de Aiocá, do pernambucano Igor de Carvalho, e Canção Calunga, de Déa Trancoso e Regina Machado, com participação de Ná Ozzetti.

O disco tem ainda a faixa Saveiro/Xauã, espécie de “mantra” de pescador composta por Paulinho Timor, e Dançando com Sereia, criada por Joãozinho Gomes e Enrico Di Miceli, paraenses radicados no Amapá. “Essa tem um clima leve e alegre. Me traz aquela sensação de liberdade que tanto sinto quando estou na praia”, comenta Mariana.

Em parceria com Márcio Farias, Joãozinho Gomes é também o autor de Castelo do Mar. Refletindo sobre uma desilusão amorosa e todas as lembranças que ela pode trazer,  Repousa é assinada por Uirá Ozzetti, enquanto Liberta Mulher é uma parceria de Mariana Furquim e Luisa Toller.

“Esse álbum foi planejado, batalhado, visceral. Estou inteira nele. Todas as canções foram delicadamente escolhidas, refletindo a minha verdade. Tem muito significado para mim, não apenas musical, mas existencial. Uma obra de vida que apresenta minha essência. É o grande fruto da busca pelo caminho que escolhi seguir na minha vida: cantar, cada vez mais. Sob as bençãos de Iemanjá”, afirma Mariana Furquim, uma das finalistas do Prêmio Profissionais da Música 2019, na categoria Artistas/ Intérpretes: Cultura Popular.

O programa

Hora do Rango, apresentado por Colibri Vitta e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), recebe ao vivo, de segunda a sexta-feira, ao meio-dia, sempre um convidado diferente com algo de novo, inusitado ou histórico para dizer e cantar. Os melhores momentos da semana são compilados e reapresentados aos sábados e domingos, no mesmo horário.