Hora do Rango

Ana Cañas: uma voz fora da bolha

A cantora e compositora foi a convidada nesta quarta do programa 'Hora do Rango', da Rádio Brasil Atual. Falou sobre repertório, preferências musicais e a veia política. Que pulsa forte em sua vida

reprodução
ana cañas

“Acho que a gente segue acreditando na luta, no amor, na soma, na esperança, mas estou muito preocupada”

São Paulo – A cantora e compositora Ana Cañas afirma não conseguir desconectar seu trabalho como artista, cantora e compositora de seu lado humano, de cidadã que percorreu o “Brasil profundo”. Quando é provocada por associar com frequência a agenda artística e o ativismo, resume: “Quando você vê essa situação, do Brasil profundo, do Brasil real… Eu não poderia dormir sem estar usando minha voz para ajudar essas causas, entendeu?”

Ana Cañas foi a convidada desta quarta-feira (6) do programa Hora do Rango, da Rádio Brasil Atual. Durante duas horas, conversou com o apresentador Colibri Vitta sobre seu repertório, suas preferências musicais e sua veia política. Que pulsa forte em sua vida.

Ela encara seu engajamento político como uma questão de cidadania, sentimento reforçado após ter entrado em contato e conhecido de perto movimentos sociais, ocupações, assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no interior do Brasil e os saraus nas periferias das grandes cidades. “Quando você começa a sair da sua bolha e vai para a realidade de quem tem uma lona para dormir e tem um prato de arroz para comer no dia… Acho que a maioria dos artistas que não tenha se posicionado talvez não tenha vivido essa realidade”, aponta.

A artista se diz preocupada com os retrocessos à vista no governo de Jair Bolsonaro. “Uma pessoa que trabalhou 28 anos e não tem um projeto aprovado, que tenha construído algo positivo para o país”, questiona, referindo-se à atuação do atual presidente como parlamentar. “Cada dia que passa a gente vê umas loucuras acontecendo, que seriam inimagináveis para mim antes do impeachment da Dilma. Parece um pouco um pesadelo. Acho que a gente segue acreditando na luta, no amor, na soma, na esperança, mas estou muito preocupada, sim.”

Para Ana, a situação da mulher, especificamente, pode se tornar ainda pior. “Os assassinatos já cresceram, os feminicídios já cresceram. O Brasil é um país que estupra uma mulher a cada 11 minutos. Isso porque é o dado que a gente tem confirmado de denúncia, imagina os casos que não são denunciados, esse número é muito maior”, sustenta. “Enquanto a gente não tiver um Estado que defenda essas pessoas que são vítimas… Por exemplo, facilitar a posse de armas, as maiores vítimas vão ser as mulheres que estão dentro de casa, os maridos alcoolizados ou até mesmo agressivos é que vão se achar no direito de pegar uma arma. Todo dia a gente tem notícia de uma mulher que é assassinada dessa forma.”

Veja íntegra da participação de Ana Cañas no Hora do Rango:

Quem vem lá

O Hora do Rango, apresentado por Colibri Vitta e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, recebe ao vivo, de segunda a sexta-feira, ao meio-dia, sempre um convidado diferente com algo de novo, inusitado ou histórico para dizer e cantar. Nesta quinta-feira (7), o convidado é o cantor e compositor Tatá Aeroplano. E na sexta, o grupo de forró Trio Dona Zefa. 

Os melhores momentos da semana são compilados e reapresentados aos sábados e domingos, sempre ao meio-dia.