governo ilegítimo

Equipe de filme brasileiro protesta contra Temer no tapete vermelho de Cannes

Equipe de 'Aquarius' denunciou farsa jurídica que levou a afastamento de Dilma Rousseff. 'Misóginos, racistas e golpistas como ministros', disseram em um cartaz sobre equipe do presidente interino

reprodução/yt/canal+
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Equipe do filme “Aquarius” durante tapete vermelho de Cannes

São Paulo – A equipe do filme brasileiro Aquarius se manifestou hoje (17), durante o chamado tapete vermelho do Festival de Cannes 2016, contra o golpe que afastou a presidenta eleita Dilma Rousseff e levou o vice, Michel Temer, a assumir ao poder. O filme, dirigido por Kléber Mendonça Filho (autor de O Som ao Redor) concorre ao prêmio máximo do festival, a Palma de Ouro.

O evento, que ocorre todos os anos em maio, na França, é um dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo. Os integrantes brasileiros, a caminho da sala de exibição, fizeram uma pausa e estenderam cartazes: “Misóginos, racistas e golpistas como ministros”; “Brasil está experienciando um golpe de estado”; “54.501.118 votos incendiados”; e “O mundo não pode aceitar este governo ilegítimo” acusavam, em referência ao mandato interino de Michel Temer (PMDB).

Em determinado momento, o diretor do festival, Thierry Fremaux, se aproximou da equipe e, quebrando o protocolo, pediu para que filmassem os cartazes. Já na sala de exibição, alguns presentes estenderam um tecido com as palavras “Parem com o golpe no Brasil”. Enquanto isso, na sala de imprensa, jornalistas de todo o mundo aplaudiram o ato em defesa da democracia.

O longa-metragem brasileiro é estrelado pela atriz Sônia Braga e marca o retorno do cinema nacional ao maior e mais democrático festival de cinema do mundo, já que contempla não apenas filmes da grande indústria. Aquarius é o único representante da América Latina na disputa da Palma de Ouro deste ano. Assim como o ato da equipe pela democracia brasileira, o filme foi muito aplaudido após sua exibição.

Em sua página no Facebook, o diretor do filme deixa clara sua posição contra o golpe. Em postagem recente, Kléber disse: “Tem que cortar tudo que dá à sociedade sua dignidade. Cultura, Samu, Farmácia Popular”, em referência a uma declaração do novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, que sugere recursos apenas até agosto para os programas citados, além da extinção do Ministério da Cultura, uma das primeiras medidas de Temer como chefe do Executivo.