São Paulo

Espetáculo itinerante propõe reflexões sobre especulação imobiliária

Coletivo PI encena 'O Retrato Mais que Óbvio Daquilo que Não Vemos' nas ruas do Baixo Centro, na capital paulista. Peça que trata sobre os desafios e conflitos dessa região fica em cartaz até 12 de dezembro

Eduardo Bernardino/Divulgação
No Centro

‘O roteiro dialoga com peculiaridades do Centro e questiona o que queremos para nossa cidade’, afirma diretora

“Corretores imobiliários” recepcionam o público no SP Escola de Teatro e, juntos, percorrem as ruas vizinhas, no Centro de São Paulo. Ali, todos são tratados como potenciais compradores de imóveis. Assim começa a peça O Retrato Mais que Óbvio Daquilo que Não Vemos, do Coletivo PI, que fica em cartaz até 12 de dezembro, sempre aos sábados e domingos.

A peça já foi encenada em 2014 na Casa das Caldeiras e agora, contemplada pelo Prêmio Funarte Artes Cênicas na Rua, reestreia em outro local com diferentes questionamentos. Desta vez, o Coletivo PI apresenta cenas e intervenções que dialogam com o espaço e demonstram figuras marcantes da região do Baixo Centro.

As apresentações partem da sede da SP Escola de Teatro, na Rua Marquês de Itu, e dali os atores (“encarnados” em corretores de imóveis) levam o público (os prováveis compradores) para fazer um tour. Eles querem evidenciar ali “um novo conceito em moradia: o Complexo New Wave, um empreendimento único da cultura ‘sharing’, que revitalizará a região do centro, propondo uma nova forma de moradia e comportamento”.

Além da crítica à especulação imobiliária, o grupo trata sobre a vida agitada das grandes metrópoles. O roteiro tem como fio-condutor uma mulher comum chamada Norma e, como mote principal, um empreendimento imobiliário. A encenação brinca com realidade e ficção e faz com que o público seja ora observador distante, ora personagem da trama, o que acaba fazendo com que o espetáculo seja diferente a cada apresentação.

Corretores-atoresCom inspiração teórica em obras do filósofo francês Michel Foucault e do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o que o grupo propõe ao público é uma imersão na arquitetura da região e no próprio organismo urbano, do qual somos parte. “O espetáculo ganha novas cenas, intervenções e características com a pesquisa no Baixo Centro. O roteiro e as imagens criadas foram pensados para este universo, marcado pelo processo de embelezamento dos novos empreendimentos e exclusão dos antigos moradores, ignorando a presença da prostituição e moradores de rua. O centro é um híbrido de ritmos, moradores, comércios e funções. O nosso roteiro dialoga com suas peculiaridades e questiona o que queremos para nossa cidade”, afirma Pâmella Cruz, diretora do espetáculo e do Coletivo PI.

Para essa temporada de O Retrato Mais que Óbvio Daquilo que Não Vemos, o Coletivo PI fez uma parceria com o Coletivo Bijari, um núcleo de São Paulo que trabalha há mais 18 anos com arquitetura e intervenção urbana, compondo a proposta de iluminação e projeções durante o trajeto.

O Retrato Mais que Óbvio Daquilo que Não Vemos
Quando: aos sábados, às 20h, e domingos, às 19h, até 12 de dezembro
Onde: SP Escola de Teatro
Rua Marquês de Itu, 273, Vila Buarque, São Paulo (SP)
Lotação: 40 pessoas
Quanto: grátis, com retirada de ingressos com 20 minutos de antecedência
Espetáculo itinerante: sugere-se comparecer com roupas leves, bolsas e mochilas pequenas
Classificação: 18 anos

Ficha técnica
Produção: Coletivo PI
Concepção original: Natalia Vianna, Pâmella Cruz, Priscilla Toscano
Criação: Coletivo PI
Dramaturgia: Coletivo PI
Direção: Pâmella Cruz
Assistência de direção: Natalia Vianna
Iluminação: Coletivo Bijari
Trilha sonora: Renato Navarro
Figurino e adereços: Emanuela Araújo e Pedro Vale
Preparação corporal: Júlio Razec
Elenco: Chai Rodrigues, Emanuela Araújo, Fernanda Pérez, Júlio Razec, Marcelo Prudente, Mari Sanhudo, Matheus Félix, Natalia Vianna, Pâmella Cruz, Thiago Camacho
Direção de produção: Chai Rodrigues
Assistentes de produção: Jean Carlo Cunha e Mari Sanhudo
Contrarregragem: Eduardo Garcia, Darah Menezes e Lucas S. do Couto