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Carnaval de rua cresce também na periferia paulistana

Na zona leste, pelo menos 45 blocos se registraram na prefeitura para receber estrutura de apoio
Publicado por Carol Scorce, para a RBA
09:44
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Divulgação Centro Cultural Arte em Construção

Na Cidade Tiradentes, na zona leste, bloco da Nega Zilda ganha mais adeptos a cada ano

São Paulo – Pouco a pouco, o carnaval de rua em São Paulo, cidade menos afeita a essa modalidade da festa do que Rio de Janeiro, Salvador e Olinda, vai ganhando forma e público. Blocos conhecidos de outras capitais, como o do Sargento Pimenta, do Rio, desfilam pelas ruas da Vila Madalena, na zona oeste, sempre uma semana antes do carnaval, antecipando a festa para milhares de foliões. Assim como a parada do Acadêmicos do Baixo Augusta, que no último domingo (8) atraiu seguidores no centro.

E se o carnaval de rua é uma festa democrática, a descentralização da festa amplia a ideia de ocupar a cidade com um carnaval no qual todos podem brincar, dançar, pular. Este ano, pelo menos 45 blocos saem pelos bairros da zona leste. No extremo sul, oito blocos desfilam, e na zona norte 32 estão na agenda.

Boa parte desses blocos pertence a centro culturais e pontos de cultura, como o bloco da Nega Zilda, em Cidade Tiradentes, zona leste, inspirado numa antiga moradora da comunidade. Esta é a sétima edição do Nega Zilda, que cresce ano a ano, segundo Luara Iracema, uma das entusiastas. “Nossa ideia é levar as atividades do centro cultural (Arte em Construção) para a rua. Passamos em frente às escolas onde atuamos, e levamos as famílias da comunidade a aproveitarem o carnaval. Preservamos as músicas tradicionais, como as marchinhas, com batuques que remetem ao maracatu, pois temos oficinas de maracatu. É sempre lindo e alegre, e estamos entre amigos, carnaval de verdade.”

Entre 2010 e 2012, o Nega Zilda levou cerca de 200 foliões às ruas do bairro, segundo a organização. Em 2013, esse número dobrou, e este ano pelo menos 500 pessoas são esperadas.

Este ano é o primeiro em que o bloco de Cidade Tiradentes contará com banheiros químicos cedidos pela prefeitura. As ruas adjacentes ao centro cultural, de onde o bloco parte e encerra o desfile, com uma roda de samba, serão interditadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Com a estrutura de apoio oferecida pela prefeitura e o decreto municipal estabelecendo regras para o carnaval de rua, a participação tem crescido ano a ano na cidade. Em 2014, foram 200 blocos; em 2013, primeiro com apoio do município, a iniciativa partiu de 60 blocos. Neste ano, 300 foram oficialmente cadastrados.

As subprefeituras com maior concentração de blocos são Sé (86), Pinheiros (67), Lapa (22), Mooca (16), Butantã (13) e Freguesia do Ó/ Casa Verde (13).

Para os que não curtem a festa, ficar em São Paulo já foi uma opção melhor. A Secretaria Municipal de Cultura estima que 2 milhões de pessoas irão participar do carnaval de rua este ano, incluindo os blocos que saem nas semanas que antecedem o feriado.

Agenda de blocos

Quinta (12)

20h30 – Bloco do Jatobá – Foi criado em 2011 por músicos e apaixonados por marchinhas em homenagem a um morador local. Concentração na Avenida João Batisca Conti – Itaquera, zona leste

Sexta (13)

19h30 – Bloco afro Ilú Oba De Min – Tem como base o trabalho com as culturas de matriz africana e afro-brasileira e a mulher. A ideia do bloco é preservar e divulgar a cultura negra no Brasil, mantendo diálogo com o continente africano através dos instrumentos, dos cânticos, dos toques, da corporeidade. Concentração embaixo do Viaduto do Chá, centro

Sábado (14)

Das 10h às 12h – Foliópolis – Folia em Heliópolis – Surgiu há cinco anos em Heliópolis a partir dos esforços da comunidade local e da entidade Unas para ocupar o espaço público com crianças, adolescentes e adultos, e valorizar a cultura brasileira com ritmos como o maracatu. Concentração na Rua Flor do Pinhal – Heliópolis, zona sudoeste

Das 14h às 19h – Bloco Água na Boca – O bloco surgiu devido à falta de água, escassez de chuva e, principalmente, pelo fato de a cidade ter fama de terra da garoa mas sofrer com a seca. Concentração na Rua Dias Penteado – Aricanduva, zona leste

Às 15h – Bloco carnavalesco Doce Veneno – O bloco nasceu em 1984 em um trabalho com a comunidade da Vila Dalva, no Rio Pequeno. Concentração na Rua Pujais Sabate – Rio Pequeno, zona oeste

15h – Grajaú Vem Tomar no C…opo – Primeira edição do bloco carnavalesco formado por artistas da região do Grajaú. Início no Espaço Cultural Humbalada – em frente à estação Primavera-Interlagos da Linha 9 Esmeralda da CPTM, zona sul

Domingo (15)

Às 11h – Bloco Trem das Onze – Surgiu em janeiro de 2014 a partir da junção de dançarinos e músicos do Jaçanã com a intenção de resgatar a tradição do bairro nas comemorações do carnaval de rua. Concentração na Rua Benjamim Pereira, 120 – Jaçanã, zona norte

Às 16h – Bloco Amanhã tem Mais! – Criado por amigos do bairro da Freguesia do Ó que decidiram juntar suas experiências e formar o bloco para difundir a cultura local. Concentração na Rua Simão Velho – Freguesia do Ó, zona norte

Das 16h às 20h – Sem Jabá Não Dá – Fundado em 2012 por dois amigos que, ao pedir uma feijoada, se indignaram porque não tinha nem um pedaço de jabá. Início na Praça José Cardoso de Moura, Vila Jacuí – zona leste

Às 16h – Arrastão da Vila Guarani – Fundado em 12 de outubro de 1983, o Arrastão faz a alegria das crianças desfilando pelas ruas do bairro com carro de som, samba-enredo próprio, temas simples e fantasias gratuitas. Concetração na Rua Domingos de Santa Maria, 150 – Vila Guarani, zona sul

Das 17h às 18h – Bloco É Barril – Criado por um grupo de amigos do “fundão” da sul de São Paulo interessados em colocar o bloco na rua que tivesse sua cara. Saida no Campo do Jacira – Jardim Jacira, zona sul

Às 20h – Orun Ilé – O projeto propõe envolver jovens em situação de vulnerabilidade social e familiares em atividades com oficinas de músicas, danças afro-brasileiras, instrumentos musicais de percussão e eletrônicos. Concetração na Rua Igarapé da Água Azul – Cidade Tiradentes, zona leste

Segunda (16)

Às 15h – D’Última Hora de Cultura – Há mais de 20 anos, a comunidade do Morro do Querosene sai às ruas com instrumentos muito comuns em ritmos como Maracatu, por exemplo. A partir da Rua Capitão Paulo Carrilho – Morro do Querosene, zona oeste

Terça (22)

Das 12h às 14h – Ivossacudo – Surgiu como uma brincadeira de amigos batucando e fantasiados de caboclo de lança, burrinha e máscaras. Concetração na Rua dos Aniquis – Jardim Novo Pantanal, zona leste

Das 15h30 às 21h – Acadêmicos da Cerca Frango – Há 13 anos, moradores da Vila Curuçá se reúnem todas às terças-feiras para tomar cerveja. Em 2013, o grupo decidiu manter a tradição durante o carnaval, e assim nasceu o bloco. Concentração na Rua Aimberê – Vila Curuçá, zona leste

Das 16h às 21h – Favela Chic – O bloco carnavalesco nasceu em 2006 com a proposta de reunir os sambistas da Vila Matilde e realizar um desfile para integrar a comunidade. Concetração na Rua Isabel, 185 – Vila Matilde, zona leste

Às 17h – Filhos do Zaire – O bloco faz parte de um projeto de esporte e cultura criado por filhos de antigos integrantes de um time de futebol de várzea que brilhou na região nos anos 1970.  Concetração na Avenida Paranaguá – Ermelino Matarazzo, zona leste

Das 17h às 20h – Raízes de Vila Piauí – O bloco renasce em 2013 com o mesmo nome da antiga escola de samba local, fundada em 1982 no campo de futebol de várzea da Vila. Concetração na Rua Nilva com Avenida Mutinga – Vila Piauí, zona noroeste

Das 18h às 22h – Bloco do Chiquinho – O bloco foi criado em 2014 por moradores para suprir a falta de lazer. Na Rua Sapupira, 117 – São Miguel Paulista, zona leste

Às 20h – Bloco do Jaçanã – O bloco foi criado por moradores inspirados na música de Adoniran Barbosa, que tornava a música da região um sinônimo da cultura nacional. Concentração na Rua Antonio Cesar Neto – Jaçanã, zona norte