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Punk e conflitos da adolescência dão o tom de ‘Nós Somos as Melhores!’

Novo filme de Lukas Moodysson se passa na Suécia dos anos 1980 e mostra a amizade entre três adolescentes. Transgressão, protesto, pertencimento e identidade são algumas das questões abordadas
Publicado por Xandra Stefanel, especial para RBA
09:18
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Divulgação
Adolescência

Filme faz um retrato sobre as dificuldades e os encantos de crescer e não se encaixar em lugar nenhum

O lema do novo filme do diretor sueco Lukas Moodysson é “Não importa o que digam, nós somos as melhores”. É o que repetem as amigas Bobo (Mira Barkhammar) e Klara (Mira Grosin) no longa-metragem que entra em cartaz hoje (20).

O pano de fundo de Nós Somos as Melhores! é a gélida Suécia dos anos 1980, onde as duas amigas vão à escola e vivem todos os conflitos típicos da adolescência. Elas têm 13 anos, cabelo moicano e querem montar uma banda punk mesmo que todo mundo diga que o movimento já morreu. Sem nenhuma habilidade musical nem estímulo externo, elas veem na tímida e certinha Hedvig (Liv LeMoyne) a solução para seus problemas. Talentosíssima no violão, essa nova integrante poderá trazer algum brilho à banda punk.

Além de usar o talento da garota, Bobo e Klara decidem que vão fazer com que a comportada menina reveja seus valores cristãos e seja, ela também, transgressora. As primeiras integrantes da banda não se enquadram nas outras “panelinhas” da escola, mas antes de ser convidada a integrar o grupo, a situação de Hedvig é ainda pior. Ela se sente completamente isolada e está sempre sozinha na hora do lanche. Talvez por isso não recuse o convite das meninas. Por mais que estranhe as atitudes das novas amigas, logo Hedvig se integra e a diversão se torna ainda maior.

Fora da escola, todas vivem em um contexto familiar bem diferente. Na casa de Klara, as brigas dos pais são constantes; na de Bobo, a mãe sempre traz um namorado novo para casa e as festas regadas a muita bebida são recorrentes; já a família de Hedvig parece viver sob o rigor religioso, que oprime qualquer tipo de rebeldia.

O nono longa-metragem de Moodysson mostra, na verdade, o rito de passagem das três adolescentes à vida adulta. O primeiro porre, os primeiros flertes, as disputas de território, a curiosidade, desobediência, o aprender a lidar com a rejeição, a “cultura” do protesto. Está tudo ali, sem nenhum clichê e com uma trilha sonora da pesada que embala uma história leve e ingênua, apesar da aparência cinza e agressiva.

Nós Somos as Melhores! é um filme divertido como deveria ser toda adolescência. Baseado em uma história em quadrinhos feita por Coco, mulher de Moodysson, o filme é um belo retrato sobre as dificuldades e os encantos de crescer e não se encaixar em lugar nenhum – característica que não diz respeito apenas aos adolescentes de Estocolmo nos anos 1980.

Só não vale ir ao cinema com a expectativa de ouvir Ramones, Sex Pistols ou The Clash, já que a trilha sonora é composta por bandas suecas que não deixam nada a desejar aos imortais do punk-rock.

s Somos as Melhores!
Direção e roteiro: Lukas Moodysson
Produção: Lars Jönsson
Co-produção: Jessica Ask, Marie Gade, Christian Wikander
Diretor de fotpgrafia: Ulf Brantas
Edição: Michael Lesczylowski
Música: Rasmus Thord
Ano: 2013
País:
Suécia
Duração:
112 minutos
Distribuição brasileira: Zeta Filmes