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Para Marta, Vale Cultura vai incentivar produções fora do circuito de patrocínios

Segundo o ministério, 1.253 empresas já solicitaram inscrição no programa, abrangendo 340.422 funcionários. A maioria (73%) é de pequeno porte

marcello camargo/abr
marta e juvandia

A presidenta do Sindicado dos Bancários, Juvandia Moreira, e a ministra com os cartões do programa

São Paulo – A ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou hoje (17), durante entrega dos primeiros cartões do Vale Cultura para funcionários do Banco do Brasil, na capital paulista, que o benefício irá incentivar produções “ousadas” que não conseguiriam financiamentos tradicionais e que dará “liberdade” para que as pessoas escolham o que preferem.

Os bancários são a primeira categoria a ter o Vale Cultura garantido, por meio de uma convenção coletiva, fechada em outubro do ano passado. Entre eles, o BB foi o primeiro a entregar os cartões. O benefício equivalente a R$ 50 mensais para serem gastos com eventos culturais, cursos, livros ou instrumentos musicais. Para isso, haverá um desconto nos salários entre R$ 1 e R$ 5. Já as empresas podem deduzir 1% do seu imposto de renda com o pagamento do benefício.

“É uma coisa que vai repercutir muito forte na produção cultural. Se você faz alguma coisa muito ousada não consegue financiamento. As pessoas têm medo de patrocinar. Com o Vale Cultura há a possibilidade de criar uma platéia e dar musculatura para uma produção cultural que não consegue se manter”, disse a ministra, durante a entrega dos cartões.

Só no BB, 42 mil funcionários têm direito ao benefício, e 28 mil já o solicitaram (5,5 mil deles só no estado de São Paulo) e começarão a receber no próximo dia 31. A expectativa é que só os bancários injetem R$ 113 milhões por ano no mercado cultural com o benefício. A expectativa do banco é que sejam investidos R$ 22,6 milhões no mercado cultural ao longo de 2014.

Segundo o ministério, 1.253 empresas já solicitaram inscrição no programa, abrangendo 340.422 funcionários. A maioria (73%) é de pequeno porte. “É, por exemplo, uma oficina mecânica que tem 16 funcionários, uma é creche em Taguatinga com quatro e uma doceria em São Paulo com seis. Podem entrar cabeleireiros, pousada… Nós estamos em uma situação de pleno emprego e se tenho que escolher onde vou trabalhar, vou escolher o lugar que me oferece Vale Cultura”, disse Marta.

De acordo com a ministra, o programa é inovador ao permitir que os beneficiários escolham em que querem gastar o dinheiro, que pode ser usado, por exemplo, na entrada de um show ou na compra de instrumentos musicais. “Hoje nós ouvimos o depoimento de uma funcionária do Banco do Brasil de Brasília que disse que usará o Vale para comprar livros sobre a Palestina e isso de certa forma surpreende. Sabemos que muitas pessoas gostam de ler e gostariam de comprar livros, mas não cabe no orçamento.”

“Foi muito boa a ideia de não fazer nominal e de ser acumulativo, porque a gente quer liberdade. A pessoa pode comprar qualquer jornal ou qualquer revista”, continuou. “Vocês lembram do Bolsa Família no começo? As pessoas gastavam, todo o dinheiro com iogurte, porque era uma fome de tudo o que eu nunca pude ter. Depois vai se aprimorando. Na cultura vai ser exatamente assim”, disse. “Temos 42 milhões de brasileiros podem entrar no programa, mas isso não vai ser num passe de mágica. Vai ser depois de um vizinho falar para o outro.”

A ministra ressaltou que o Sindicato dos Bancários de São Paulo foi essencial para conquistar o benefício para a categoria. “Quando eu li que estava tendo um acordo coletivo eu liguei para Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e pedi para que tenham ouvidos para a proposta. Liguei para o sindicato e pedi que colocassem a proposta no acordo coletivo. E deu certo.”