Tim-tim

É verão, o calor tá forte. Em vez da breja, vá de vinho

O verão brasileiro é perfeito para um vinho. Brancos, rosés, espumantes, enfim, há uma carta variada para refrescar

Pixabay

Há alguns anos, andando por Paris durante o verão, surpreendeu-me uma cena à primeira vista contraditória. Pessoas vestindo um sobretudo preto e pesado (meu Deus!), com uma écharpe très chic ao pescoço e bebericando uma taça de vinho branco ou rosé bem geladinho. Exceto pelo sobretudo no verão, os franceses sabem o que é bom. Primeiramente, não tenho nada contra uma boa cerveja e um chopinho deliciosamente gelado no fim de uma tarde quente. Mas nunca entendi bem por que os brasileiros não apreciam, e nem sequer experimentam, um espumante, um vinho branco ou rosé no verão. Nosso calor tropical é maravilhoso para um vinho desses!

No fim do ano passado convidei, aqui e no meu podcast Taninos e Afins, a sommelière Andreia Poldi a falar de espumantes. Que, aliás, também são ótimos para qualquer ocasião, mas, principalmente, no verão. Nesta coluna, continuo abordando esses vinhos. Mas, desta vez, vou falar de um vinho que adoro, perfeito para o verão, e que o brasileiro começa a prestar um pouquinho mais de atenção (bem pouquinho). São os rosés ou vinhos rosados.

Origem francesa

Grosso modo, os vinhos rosés são maravilhosos nesta época do ano e, também, para acompanhar uma refeição mais leve e requintada. Em países da Europa, como França, Itália, Espanha e Grécia, são muito consumidos nos dias ensolarados e quentes, acompanhando comidas que vêm do mar. 

Esse estilo de vinho tem origem francesa e uma das maiores produtoras do mundo é a região de Provença. Quem nunca ouviu falar aí dos rosés provençais? O processo produtivo varia um pouco e tudo depende da quantidade de cor que se quer extrair da uva tinta, com a qual ele é elaborado. 

Há produtores que deixam o sumo macerando (em contato com as cascas) por algumas poucas horas e depois separam. Outros utilizam um método chamado sangria, que é retirar parte de um vinho tinto e fazer um blend com outro branco (este método é menos utilizado hoje em dia).

As tonalidades dos rosés variam. As tonalidades variam de clarete, salmão ou casca de cebola (nuances alaranjadas), esta última uma característica dos provençais. Ah, as uvas usadas variam. Na França tem a Grenache, na Califórnia a Zinfandel (ou Primitivo), tem também a Syrah, a Pinot Noir. Lembrando que esses vinhos podem ser base para espumantes rosés também. 

Vinificação em branco

Após serem separados das cascas, eles são vinificados como são os vinhos brancos, ou seja, a fermentação ocorre em temperaturas baixas para que não se perca sua característica aromática. Sim, os rosés são muito aromáticos (aromas florais e de frutas silvestres em sua maioria), tem uma boa acidez para manter o frescor e são leves no álcool. 

Como disse, vão muito bem com comidas do mar e, também, pratos vegetarianos e/ou veganos, como o ratatouille.

São vinhos para tomar pá-pum: saiu da vinícola, vai para a gôndola e pronto! Portanto, são vinhos com o frescor da juventude e devem ser provados geladinhos.


Adriana Cardoso é jornalista com mais de 20 anos de estrada, além de enóloga formada pelo Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia de São Paulo, campus São Roque. Fez estágio na Villa Francioni, vinícola localizada na região conhecida como Vinhos de Altitude, na Serra Catarinense, e hoje aventura-se a escrever e falar sobre vinhos, além de dar consultoria em comunicação para vinícolas e outros negócios do vinho. Acompanhe também o podcast Taninos e Afins nas plataformas Anchor, Breakers, Google Podcasts, Pocket Casts, RadioPublic e Spotify.