na história

Croácia, a ‘finalista surpresa’ da Copa do Mundo da Rússia

Finalista inédita e a primeira seleção do Leste Europeu em finais em 56 anos. Croatas chegam à decisão contra a França despertando curiosidade em todo o mundo

HNS
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Time croata chegou sem grandes expectativas na Copa da Rússia e, agora, busca título histórico contra a França

São Paulo – Ao vencer a Inglaterra por 2 a 1, na prorrogação, na tarde desta quarta-feira (11), pela semifinal da Copa do Mundo 2018, a seleção principal de futebol da Croácia consolidou uma série de episódios inéditos, curiosidades e até recorde.

O time chegou sem grandes expectativas à Copa da Rússia – ao menos para quem acompanha futebol sem ser croata. Ao ser sorteada no grupo D, o mesmo da Argentina, comandada por Lionel Messi, Nigéria e a novata “sensação” Islândia, os croatas foram imediatamente considerados candidatos a brigar pela segunda colocação da chave. Mas o time venceu os três jogos que disputou na primeira fase do Mundial alcançando o primeiro lugar – de quebra, com uma atuação espetacular contra a Argentina. De lá para cá, desbancou a Dinamarca, pelas oitavas de final, a anfitriã Rússia (quartas) e a Inglaterra (na semifinal). 

A chegada inédita dos croatas à grande final desta Copa faz lembrar alguns fatos curiosos que a seleção da camisa quadriculada levará ao jogo contra a França, no próximo domingo (15), às 12h (de Brasília), incluindo aí o fato de ser a primeira representante do Leste Europeu a disputar o título de melhor seleção do mundo em 56 anos. Confira:

O 13º finalista

A Copa do Mundo é disputada desde 1930. De lá para cá, foram realizadas 21 edições, já contando a da Rússia neste ano. Entre as 206 nações reconhecidas pela Fifa em seu ranking, apenas 12 haviam sentido o gostinho de disputar a final do torneio – com a chegada da Espanha, em 2010 (na África do Sul), que faturou o título logo em sua estreia em finais de Copa. Na Rússia, a Croácia torna-se a 13ª integrante deste seleto grupo. 

Na estreia do torneio, em 1930, Uruguai e Argentina foram as primeiras finalistas – vitória uruguaia, por 4 a 1. Em 1934, na segunda edição da Copa, Itália e Checoslováquia fizeram a final. Em 1938, foi a vez da Hungria. Nestas duas últimas, a vitória foi dos italianos.

Não houve Copa nos anos de 1942 e 1946, devido à Segunda Guerra Mundial Na volta do torneio, em 1950, o Brasil foi a quinta seleção a estrear na partida decisiva, como anfitrião, mas perdeu para o Uruguai por 2 a 1. Já em 1954, a Alemanha iniciava sua poderosa escalada em Copas, sentindo o gostinho de uma final pela primeira vez, batendo a Hungria, por 3 a 2, e levando a taça pra casa.

Na Copa seguinte, a anfitriã Suécia debutou na decisão, mas foi goleada pelo Brasil, do craque Didi e do jovem Pelé, por 5 a 2. Em 1966, os ingleses chegaram pela primeira (e única) vez em sua história numa final do torneio. Jogando em casa, eles venceram a então Alemanha Ocidental por 4 a 2.

A Holanda fez sua estreia em decisões em 1974, quando perdeu para a Alemanha Ocidental por 2 a 1. Já em 1998, foi a vez da França jogar sua primeira decisão. Os anfitriões bateram o Brasil por 3 a 0. Neste domingo os franceses jogam sua terceira final de um mundial de seleções – foram vice-campeões em 2006, na última Copa vencida pela Itália.

No total, são seis vitórias e seis derrotas nas 12 finais que uma seleção “caloura” esteve na disputa. A Croácia, portanto, irá desempatar esse retrospecto para um dos lados.

Ex-Iugoslávia

A Croácia é um do sete países que se formaram a partir da desintegração da Iugoslávia, na década de 1990. Isso torna os croatas a primeira seleção surgida depois da Copa do Mundo a decidir o Mundial. A federação croata filiou-se à Fifa em 1992.

O curioso é que, por outro lado, existem países que não existem mais, mas já disputaram o torneio e até chegaram na final. A Tchecoslováquia é um dos exemplos, sendo vice-campeã em 1934 e 1926. A própria Iugoslávia disputou o torneio e sua melhor campanha foi um 4º lugar, em 1962.

A Alemanha Ocidental também não existia quando a Copa foi criada, mas foi tricampeã mundial (1954, 1974 e 1990). Com a reunificação com a Alemanha Oriental, em 1990, o país “herdou” os resultados da Ocidental.

Tabu do leste

Pela quinta vez a Copa do Mundo terá um finalista do leste europeu. O último representante foi a Tchecoslováquia, há 56 anos, na Copa de 1962, no Chile. Anteriormente, os próprios checos, em 1934, e a Hungria, em 1938 e 1954, representaram a região.

Porém, nas quatro participações até o momento, o representante do leste europeu saiu derrotado em todas. Duas vezes para a Itália, uma para a Alemanha e outra para o Brasil.

A Croácia, primeira representante da península balcânica, terá a tarefa de quebrar esse tabu.

Festa para poucos?

A Croácia bateu o recorde da Suécia e se tornou o menor país europeu a chegar numa decisão de Copas, com um pouco mais de 4 milhões de habitantes. A população dos suecos, em 1958, era de 7,3 milhões. O recorde geral é do Uruguai, finalista em 1930 e 1950.

Entretanto, se comparado à população mundial, a Croácia é a menor nação a chegar na final. Em relação aos 7,6 bilhões de pessoas que habitam o planeta atualmente, 0,05125% são croatas. Em 1930, quando foi criada a Copa, o mundo registrava 2 bilhões de habitantes e a população do Uruguai correspondia a 0,085% desse total.

Três prorrogações

Outro dado histórico alcançado pela Croácia: nenhum time que havia disputado três prorrogações consecutivas tinha conseguido chegar à final. Como cada prorrogação é de dois tempos de 15 minutos cada, os croatas somam nesta Copa pelo menos 90 minutos a mais em campo (fora os acréscimos), o que corresponde a um jogo inteiro. Ou seja, em minutos jogados, a seleção encerrará o mundial com oito partidas disputadas, contra sete da sua adversária, a França.

Além da questão física, a Croácia precisará vencer outro retrospecto negativo. Das seleções que disputaram prorrogações nas semifinais da Copa, só duas conseguiram vencer a final.

Em 1954, a Hungria precisou do tempo extra para bater o Uruguai, por 4 a 2, nas semifinais, mas perdeu para a Alemanha Ocidental na final, por 3 a 2. A Itália venceu a Alemanha Ocidental, em 1970, antes de ser goleada pelo Brasil, na final, por 4 a 1.

Na Copa de 1982, a Alemanha Ocidental venceu a França, nos pênaltis, mas perdeu para a Itália no jogo decisivo, por 3 a 1.

Em 1990, não tinha como o retrospecto prevalecer. Pela primeira vez, os dois finalistas precisaram da prorrogação e dos pênaltis nas semifinais: Argentina e Alemanha Ocidental. Na final, vitória alemã por 1 a 0. 

Infelizmente, em 1998, o Brasil entrou na estatística: venceu a semifinal contra a Holanda nos pênaltis, mas tomou 3 a 0 da França na final. Em 2006, a coisa mudou: A Itália classificou-se para decidir o título batendo a anfitriã Alemanha na prorrogação, por 2 a 0, e depois venceu, nos pênaltis, a França na decisão.

Na Copa passada, a Argentina entrou de novo na estatística. Venceu a Holanda, nos pênaltis para conseguir chegar à decisão,  que acabou perdendo para a Alemanha (1 a 0, na prorrogação).

Por fim, a seleção croata é a pior colocada no ranking da Fifa a aparecer numa decisão. Atualmente, ela figura no 20º lugar.