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Semáforos apagados aumentam riscos e agravam trânsito em São Paulo

Sem contrato de licitação semafórica desde janeiro, capital paulista convive com cruzamentos bloqueados por cones e cavaletes

Rogerio de Santis/Futura Press/Folhapress
semáforos apagados

Na Avenida Rio Branco, bloqueios por causa de semáforos apagados afetam até a circulação dos ônibus

São Paulo – Sem contrato de manutenção de semáforos desde janeiro, a cidade de São Paulo vê proliferar os cruzamentos com sinais apagados, que expõem motoristas e pedestres a maior risco de acidentes e complicam ainda mais o trânsito da capital. O fechamento das vias com cones e faixas, que deveria ser ação emergencial até o momento do reparo, vem se tornando regra. 

A reportagem da Rádio Brasil Atual visitou hoje (4) diversos pontos da cidade e constatou o agravamento da situação. Segundo moradores e comerciantes, o cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua Helvétia, na região central da cidade, por exemplo, encontra-se fechado há pelo menos dois meses. Mais à frente, na mesma avenida, o cruzamento com a Alameda Glete permanece fechado há um mês. Os bloqueios chegam, inclusive, a interferir na circulação dos corredores de ônibus.

Para Sérgio Eisenberg, que é engenheiro, perito em acidentes e mestre em Transporte da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a gestão Doria deveria ter firmado contrato emergencial para a manutenção semafórica, até que fosse realizada a nova licitação. Ele também criticou a gestão anterior por não ter feito a renovação dos contratos de manutenção. 

A primeira tentativa de licitação pela atual gestão, em março, teve o seu edital questionado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) e foi suspensa. Em fins de junho, uma falha no sistema eletrônico que faria a licitação acarretou outro adiamento da licitação de R$ 74,3 milhões para a manutenção de todos os 6.399 semáforos da cidade. 

Em entrevista, Eisenberg afirma cada cruzamento fechado sobrecarrega os outros para onde são desviados o fluxo de automóveis, acarretando congestionamentos. “Quando se fecha um cruzamento com cones, automaticamente, o fluxo que passava vai ser desviado para o cruzamento do lado, e vai sobrecarregar e congestionar.” 

 Ele afirma também ser “muito provável a correlação com semáforos com pouca visibilidade, ou apagados, e o maior número de vítimas”, e classificou a situação atual como “gravíssima”.

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