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Moradores de áreas alagadas e desalojados por obras da prefeitura protestam em SP

Publicado por suzanavier
19:49
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Ruas alagadas no Jardim Pantanal

São Paulo – Moradores do Jardim Pantanal e de São Mateus, bairros da zona leste, e da comunidade de Paraisópolis, zona sul da capital paulista, protestaram na tarde da segunda-feira (12), em frente à Secretaria Municipal de Habitação (SMH), contra a retirada de famílias sem garantias de novas moradias.

Depois de meses de sucessivas enchentes, centenas de famílias do Jardim Pantanal e de São Mateus ainda estão sem moradia. “As histórias se repetem: a prefeitura retirou as famílias, concedeu bolsa aluguel por um tempo e agora que acabou o auxílio as pessoas não têm para onde ir”, afirma Zélia Andrade, uma das vítimas das enchentes e militante do Movimento Terra Livre.

Já os moradores do Jardim Nova Esperança, em Paraisópolis, foram removidos para realização de obras viárias, mas com o fim do auxílio-aluguel da prefeitura de São Paulo também estão sem destino. A população reclama da falta de informações e de promessas não cumpridas pela prefeitura.

Segundo Maria Cleudimar, moradora retirada do local há um ano, a superintendente de Habitação Popular da SMH, Elisabete França, prometeu apartamentos para todos os removidos. Mas no dia a dia, acusa, as assistentes sociais da prefeitura contradizem a promessa e ameaçam os moradores: ou aceitam indenização de R$ 5 mil pelas residências ou ficam sem nada.

Sem apartamentos e sem auxílio-aluguel, as famílias dependem da boa vontade dos vizinhos para sobreviver. Maria abrigou, no final de semana, uma mãe e seis filhos, três deles deficientes, que com o fim do auxílio-aluguel ficaram sem casa. Mas a moradora lembra que só tem mais um mês de direito ao auxílio e a partir daí, ela também precisará ser ajudada.

“Se moramos em áreas de risco ou não legalizadas não é porque escolhemos. Em São Paulo, quem trabalha com carteira assinada e recebe (o equivalente a) dois salários (mínimos) não tem acesso a crédito”, acusa. “Só tem prioridade (sic) aqui quem ganha dez salários, mas a maioria só ganha um.”

Maria Neusa Amorim deixou o imóvel em Paraisópolis há dois anos com uma indenização de R$ 5 mil e agora mantém aluguel de R$ 300 com a aposentadoria do marido, licenciado por depressão, depois de ter sofrido um acidente vaso-cerebral. Ela reclama da falta de informações da prefeitura e da dificuldade em manter o aluguel depois de deixar sua antiga casa na comunidade para a construção de uma avenida.

Ruínas

Para Zélia, do Jardim Pantanal, não seria necessário lutar por apartamento se a prefeitura não tivesse retirado as famílias. “O melhor seria se não tivéssemos saído de nossos lares, com exceção de quem estava em áreas de risco. Aí tem de sair mesmo”, diz a militante. “É apenas legalizar o bairro”, acrescenta.

Os moradores do Jardim Pantanal afirmam que famílias transferidas para apartamentos no município de Itaquá estão vivendo em prédios em ruínas. “A prefeitura diz que estão em boas condições. Eles tapeiam, pintam, mas estão caindo aos pedaços”, diz Zélia.

Muitas famílias já consideram melhor morar à beira do rio do que viver nesses prédios. “Mil vezes meu barraquinho na beira do rio que aquele prédio, ouço moradores dizendo”, relata. “É esgoto a céu aberto, longe de tudo, e apartamento caindo aos pedaços. As pessoas dormem e não sabem se vão acordar bem.”

Bolsa Família

Outra reclamação recorrente na comunidade de Paraisópolis é a falta de empenho da prefeitura para cadastro de famílias no programa social federal Bolsa Família. Maria Cleudimar espera há dez meses pelo auxílio ou informações sobre o programa. Ela teria feito o cadastro em 13 de agosto do ano passado, numa escola da comunidade, mas até agora não recebeu o benefício, nem explicações da prefeitura sobre o assunto.

Com dois filhos, uma das crianças com síndrome de Willians, e desalojada da antiga residência,  o programa é essencial para a manutenção da família, diz a moradora. “A prefeitura faz cadastro das bolsas debaixo dos panos, nos colégios, para ninguém ver, nem fazer. Quando as mães vão saber, já venceu o prazo. É só um dia ou dois para inscrição. Eu queria saber para onde vão esses recursos”, acusa. E questiona.