10 anos de impunidade

Ministério da Saúde finaliza documentário sobre o SUS no socorro às vítimas da boate Kiss

O lançamento nesta sexta-feira (27) do trailer do filme “Saúde no Limite da Dor”, sobre a resposta do SUS às vítimas, marca os 10 anos daquele sábado em Santa Maria (RS), em que 242 jovens morreram e mais de 600 ficaram feridos. Até agora os culpados não foram presos

Reprodução/Twitter
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Fachada da boate Kiss, no interior do Rio Grande do Sul,, mostrada em um trecho do documentário

São Paulo – O Ministério da Saúde lançou nesta sexta-feira (27) o trailer do documentário “Saúde no Limite da Dor” sobre a resposta do SUS às vítimas do incêndio da boate Kiss. O lançamento marca os 10 anos, lembrados hoje, da tragédia naquela noite de sábado em Santa Maria (RS), que matou 242 jovens feriu mais de 600. Até agora os culpados não foram presos.

Dirigido pela comunicadora Taya Carneiro, o documentário aborda o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) na resposta à emergência.  A obra completa será lançada nas redes sociais do ministério em março. E servirá também como material didático do curso de Emergências Biológicas Complexas do Programa de Formação em Emergências em Saúde Pública (Profesp). O trailer pode ser conferido no final da reportagem.

“Sinto que é uma vitória podermos ocupar esse espaço e mostrar que as mulheres travestis e transexuais têm muito a contribuir para o desenvolvimento do país. Lançar o trailer do documentário em uma data tão próxima ao dia da visibilidade trans e com uma equipe majoritariamente LGBTI+ torna isso tudo ainda mais especial”, disse Taya, que é travesti e gerencia a área de Projetos Estratégicos em Comunicação do Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde.

A mobilização do SUS logo após o fogo na boate Kiss

Em formato de série, o documentário tem três episódios. O primeiro registra a mobilização do SUS nas primeiras horas após o incêndio, a chegada da Força Nacional do SUS e a importância da presença de autoridades no local. É o caso da ex-presidenta Dilma Rousseff e do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, para a articulação com outros setores do governo, inclusive as Forças Armadas.

O segundo episódio mostra o acolhimento aos familiares das vítimas, destacando o momento do reconhecimento dos corpos e o transporte do antídoto ao cianeto. Esse gás tóxico, derivado da queima do revestimentos do teto, causou muitas das mortes. Sua estrutura química é semelhante à do gás usado pelos nazistas nas câmaras de gás dos campos de extermínio de judeus na Segunda Guerra.

Já o terceiro episódio aborda as lições aprendidas, descrevendo a importância da estratégia de atenção e dos planos de contingência e de prevenção. O objetivo é que episódios como esse não se repitam.

Boate Kiss marcou atendimento complexo em saúde no Brasil

Segundo os autores do documentário, o incêndio na boate Kiss marcou a saúde pública brasileira ao demandar atendimentos em uma rede complexa e em alta velocidade. Entre os principais relatos dos entrevistados estão descrições do trabalho realizado nos hospitais, possibilitando o salvamento de 97,5% das vítimas encaminhadas. E os bastidores da realização do maior transporte aeromédico do mundo até então.

Na madrugada desta sexta-feira, sobreviventes, familiares e amigos de vítimas do incêndio na boate Kiss fizeram uma vigília em frente à casa noturna. Após caminhada silenciosa, uma coreografia lembrou a tragédia e logo após foram coladas mensagens e imagens na fachada do local.

Condenação pelo Júri foi anulada em 2021

Há dez anos, os jovens não encontraram saídas para deixar o espaço em meio a chamas e fumaça tóxica. Em todo esse tempo, ninguém foi responsabilizado. O júri que em 2021 havia condenado quatro pessoas foi anulado por questões processuais. Ainda não há data para novo julgamento.

“É muito importante ver tanta gente compartilhando desse momento, estando junto, caminhando junto, trilhando junto e registrando a história junto. E tendo a coragem de enfrentar o que a gente tem enfrentado de lembranças, de memórias. Sabemos que juntos a gente consegue muito mais”, disse o presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Gabriel Rovadoschi.

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Redação: Cida de Oliveira