Cidadãos de direitos

Em mensagem a comissão da OEA, MST aponta ‘profunda insensibilidade social e humana’ do governo

Discussão refere-se a despejo de famílias em acampamento de Minas Gerais. Ameaças continuam

MST
Movimento mantém distribuição de alimentos para populações vulneráveis e reitera produção diversificada dos acampamentos e assentamentos pelo país, agora retratados em programa nas redes sociais

São Paulo – O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) encaminhou mensagem à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para refutar acusações do governo. O caso se refere ao “despejo truculento” do Acampamento Quilombo Campo Grande, no município de Campo do Meio (MG), em agosto do ano passado.

“Na resposta enviada na última semana, o MST destaca que em plena pandemia, com ampla repercussão na imprensa nacional e internacional, com uso desproporcional da força (armas, bombas, helicóptero), a Polícia Militar de Minas Gerais expulsou de suas casas 14 famílias, e destruiu completamente a Escola Eduardo Galeano que servia como espaço de alfabetização de crianças, jovens, adultos e idosos naquela comunidade”, lembra o movimento. ” Vale ressaltar que ainda pende decisão sobre o despejo de outras 450 (quatrocentas e cinquenta) famílias que seguem vivendo e resistindo no local.”

Direitos básicos

Em dezembro, a CIDH, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), promoveu audiência com os sem-terra. Para discutir, entre outros assuntos, a paralisação do processo de reforma agrária sob o atual governo. Dias antes, a Comissão havia solicitado do Estado brasileiro explicações sobre os episódios ocorridos no acampamento.

“O documento também frisa que o imóvel objeto da disputa é originário da antiga Usina Ariadnópolis, que foi à falência há mais de três décadas, e que diante do não pagamento dos direitos trabalhistas aos seus funcionários, viu parte da fazenda ser ocupada por antigos empregados e trabalhadores rurais da região há mais de 20 (vinte anos)”, afirmam ainda os sem-terra. “O MST reitera que, somente com uma profunda insensibilidade social e humana, é possível não reconhecer que o caso em análise trata de direitos fundamentais básicos de vida e saúde das pessoas.”

Com isso, o movimento informa que as famílias seguem em condições vulneráveis, “com escalada da tensão e ameaças”. E acrescenta que, enquanto o Estado continuar negligente no atendimento ao direitos das famílias, que há anos reivindicam terra, moradia, trabalho e saúde, os agricultores estarão sujeitos ao poder da milícia privada local”.

“Sem regularização, as famílias permanecem inviabilizadas de acessarem políticas públicas, crédito rural e benefícios governamentais para ampliarem sua capacidade de produção e melhorarem as condições de vida”, finaliza o MST.

Comida de Verdade

Em mais um frente de luta pelos direitos humanos, o MST lançou na quarta-feira (17) a segunda temporada do programa Comida de Verdade. A ideia é mostrar a produção de assentamentos e acampamentos pelo país, mostrar a diversidade das experiências de reforma agrária e discutir temas como alimentação saudável. Agora, o programa terá duração de 30 minutos e entrará ao vivo a cada 15 dias, a partir das 19h, nas redes sociais.

Neste relançamento, Comida de Verdade será apresentado por Divina Lopes (Maranhão) e Luana Carvalho (Rio de Janeiro). Confira aqui o primeiro episódio.


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