Folia só online

Blocos convocam paulistano a manter isolamento no carnaval

“É muito importante que as pessoas fiquem em casa, que a gente segure a disseminação da covid neste momento”, afirma Marco Ribeiro, do Bloco do Fuá

Romeu Escanhoela / Fotos Públicas
Bloco de rua em São Paulo no carnaval de 2018: situação inimaginável durante este momento de pandemia com mortes em alta

São Paulo – Carnaval é paixão do paulistano, mas este ano, em função da situação do país na pandemia, a festa foi cancelada. As fantasias, o glitter e as serpentinas ficarão de lado. As ruas não serão coloridas e as marchinhas e a percussão não irão ecoar pelos becos e avenidas. O ano de 2021 será sem carnaval, pelo menos, sem carnaval nas ruas, com abraços e danças. Para que possamos retomar a folia em 2022 é preciso ser consciente e manter o isolamento neste carnaval. Curtir os bloquinhos está liberado, mas, só por meio das lives programadas para os 4 dias de carnaval.

Nos últimos anos, o número de blocos de rua aumentou consideravelmente na cidade de São Paulo. Em 2020, o número de blocos que se apresentaram nas ruas da cidade foi o maior já visto: 644 blocos em 678 desfiles. Em 2019, foram 464 blocos em 490 desfiles, segundo a Prefeitura de São Paulo.

O músico Leo Bianchini, comenta que o carnaval é uma festa democrática, onde se pode esquecer a rotina do dia a dia e curtir a folia.

“Os carnavais de ultimamente têm sido celebrados em espaços públicos, nas ruas. E você acaba tendo festas muito democráticas, abertas, onde você mistura muitas classes e muitas pessoas de lugares diferentes em um mesmo ponto (..). O carnaval tem uma ressignificação entre as pessoas e com o espaço público que eu acho muito benéfico”, afirma Leo.

Medidas preventivas

Este ano, a pandemia não dá espaço para festas, nenhum tipo de aglomeração pode ser feito, pois aumenta as chances de contaminação pela covid-19.

O médico sanitarista Arthur Chioro, relembra que só com medidas preventivas é possível evitar a contaminação. Segundo Chioro, nem mesmo se o Brasil estivesse com uma cobertura vacinal significativa seria seguro ignorar as normas sanitárias e não respeitar o isolamento no carnaval.

“Ainda que nós tivéssemos a esta altura uma cobertura vacinal significativa, ainda assim, seria fundamental a manutenção das medidas de isolamento social (no carnaval). Que implicam na não aglomeração, no uso da máscara, de todos os cuidados de higiene, e fundamentalmente, uma atitude consciente e solidária, de cidadania, de responsabilidade com a vida coletiva.”

Nas redes sociais

Em 2021 o carnaval começa oficialmente hoje, 12 de fevereiro. E uma forma de curtir o carnaval seguro, em casa, é através das lives. A prefeitura de São Paulo lançou o Festival Tô Me Guardando, evento virtual e gratuito, que será realizado entre os dias 12 e 28 de fevereiro, com os blocos de carnaval de rua da cidade.

Neste sábado (13), o Bloco do Beco, fará sua tradicional apresentação às quatro da tarde, só que desta vez, pelo Facebook. O Bloco do Beco existe desde 2002 e ganhou este nome justamente por ter sido idealizado em um beco do Jardim Ibirapuera, periferia da Zona Sul de São Paulo e surgiu com o propósito de levar o carnaval para a comunidade.

Lenon Farias, produtor cultural e mestre de bateria do Bloco do Beco, comenta que depois de 18 anos, o evento acontece virtualmente. Embora seja frustrante, é necessário parar agora para em 2022 a folia não passar em branco.

“Depois de 18 anos, ter que fazer um carnaval online, a gente nunca pensou isso. Mas a gente está dizendo aqui que 2021 não será um carnaval em branco, a gente vai fazer a nossa live, vai ter a presença da nossa bateria”.

O Bloco do Fuá, famoso bloco do bairro do Bexiga também fará sua apresentação online, fechando o carnaval, no domingo, 28 de fevereiro.

Responsabilidade na pandemia

Para Marco Ribeiro, coordenador do Bloco do Fuá, é preciso ter paciência. Se os foliões ficarem em casa, assim como todos os idealizadores de blocos, passar por este momento de pandemia será menos difícil.

“É muito importante que as pessoas fiquem em casa, que a gente segure a disseminação da covid neste momento. Tem morrido mais de mil pessoas por dia no Brasil. São Paulo já matou muita gente. As pessoas que organizam o carnaval têm a responsabilidade de não colocar o bloco na rua”, afirma, Marco, destacando que os foliões também devem se pautar pela responsabilidade quanto à pandemia.

Leo Bianchini concorda. Segundo ele, a gente pula o carnaval em 2021 para em 2022 poder curtir a festa. “É importante que as pessoas saibam que não curtir o carnaval deste ano é garantir o carnaval do ano que vem”, afirma, ao reforçar o ato de consciência deste ano para garantir as medidas de proteção contra o coronavírus.

Edição: Helder Lima

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