São Paulo

População de rua protesta contra Covas em frente à prefeitura: ‘política genocida’

Movimentos cobram diálogo e reivindicam ações contra a covid-19, desemprego e por moradia digna. Nos últimos dois anos, governo não gastou nem 10% do orçamento previsto para reduzir número de sem-teto

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"As pessoas em situação de rua estão morrendo de covid e por falta de políticas públicas cuidadosas e decentes", denunciam os movimentos

São Paulo – Manifestação dos movimentos da população em situação de rua, nesta quinta-feira (14), em frente à prefeitura de São Paulo, denunciou a negligência da governo Bruno Covas (PSDB) diante dos impactos da pandemia de covid-19 entre a população de maior vulnerabilidade social da cidade. Os movimentos acusam o prefeito de promover uma “política genocida”, que nega e corta serviços essenciais para atender ao aumento do número de sem-teto e trabalhadores informais ambulantes e desempregados na capital. 

De acordo com o Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, há hoje mais de 50 mil pessoas nestas condições em São Paulo. Isso, no momento em que os casos e mortes pelo coronavírus repetem o pior estágio da pandemia. “As pessoas em situação de rua estão morrendo de covid e por falta de políticas públicas cuidadosas e decentes”, contesta o movimento, em carta. 

O ato foi realizado por mais de 20 entidades. Entre elas, a Associação Rede Rua, o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, a CUT, o Sindicato dos Bancários de São Paulo e o Núcleo de Movimentos Sociais e População em Situação de Rua da Comissão de Direitos Humanos da OAB São Paulo. 

Nem 10%

Todos cobram diálogo com o prefeito para discutir um total de nove propostas para a população de rua paulistana. Entre elas, a inclusão no Programa de Metas de seu mandato (até 2024), da implantação de moradias sociais. Além de um plano de segurança alimentar e projetos alternativos de emprego. Os movimentos também reivindicam a manutenção do contrato e a ampliação da quantidade de refeições do projeto Rede Cozinha Cidadã. A iniciativa, apontam, está ameaçada pelo governo Covas, que sinalizada reduzir o número de refeições para 5 mil por dia. Segundo as entidades, o prefeito ainda pretende cortar, em abril, a verba destinada aos restaurantes parceiros.

Covas, que assumiu o segundo mandato com discurso de combate às desigualdades como prioridade, aplicou nos últimos dois anos apenas 7,4% do orçamento previsto para acolhimento e redução da população de rua na capital. Reportagem do portal G1, desta quinta, aponta que, do total de R$ 21,8 milhões reservados para as ações do tipo, o tucano investiu R$ 1,6 milhão. Os dados foram publicados no relatório do Plano de Metas da Cidade, divulgado em dezembro.

A prefeitura, em nota ao portal, alegou que as metas foram “prejudicadas pelo cenário ocasionado pela pandemia”. Mas não explicou as razões para que o dinheiro não fosse aplicado. 

“É desumano ver o aumento do número de pessoas em situação de rua. Desumano ver a forma preconceituosa como os aparelhos públicos, como a sociedade trata os cidadãos e cidadãs mais vulneráveis da cidade: ‘qualquer comida serve’, ‘gostam de ficar na rua’, ‘internação compulsória’. E também com a retirada de pertences dessas pessoas”, lamentam os movimentos. 

Divulgação/MEPR-SP
Protesto em frente à prefeitura nesta quinta (14) denuncia descaso com a população em vulnerabilidade social pelas gestões Covas e Doria

Cidadãos de direitos

As entidades também reivindicam a continuidade e expansão do projeto Ação Vidas no Centro. Assim como a ampliação e diversificação da oferta de moradia digna e a prorrogação da Renda Básica Emergencial Municipal. Elas também citam a importância do aumento de vagas em hotéis para os idosos em situação de rua. Sob protestos, após atraso de meses na contratação, a secretaria municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) disponibilizou 250 vagas em estabelecimentos particulares. O total, no entanto, é bem menor do que o número de cerca de 3 mil idosos que estão nas ruas da capital, segundo o Censo Municipal da População de Rua.  

O governador João Doria (PSDB) também é lembrado com críticas pelos movimentos, que cobram o retorno da gratuidade no transporte público para a população com mais de 60 anos. Eles também ressaltam a necessidade de priorizar a população sem-teto no programa de vacinação contra o novo coronavírus. “Nós queremos a mesma dignidade e direitos. Somos cidadãos comuns a todos os paulistanos. Chega de sofrimento, fome, violência e mortes!”, entoam os movimentos. 

Redação: Clara Assunção