Esperança e Luta

Aos 20 anos, Fórum Social Mundial debate ‘outro mundo possível pós-covid-19’

Lula, Angela Davis e ativistas de todo o mundo participam do painel especial de abertura, no dia 23. Diversidade de gênero e raça, justiça social e preservação ambiental estarão entre os temas debatidos

FSM/Reprodução
Primeira edição do Fórum Social Mundial, em 2001, ajudou a mudar os rumos do Brasil e da América Latina

São Paulo – Entre os dias 23 e 31 de janeiro, movimentos sociais, ativistas de diversos setores da sociedade civil e organizações sindicais de todo o mundo se reúnem virtualmente para a realização do Fórum Social Mundial (FSM). Nesta edição, o evento, que deu novo impulso aos movimentos progressistas no início do século 21, em especial na América Latina, completa 20 anos. Com o tema ” Um Outro Mundo é Possível Pós-Covid-19″, os participantes pretendem discutir saídas para as crises do capitalismo mundial.

Uma marcha virtual, com vídeos de lutas sociais de todo o mundo marcará o início do evento. Nesse mesmo sábado, painel especial de abertura trará o tema “Qual o mundo que queremos hoje e amanhã?”.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai representar os países da América Latina; pela América do Norte, a filósofa e ativista estadunidense Angela Davis; do continente africano, a política e escritora malinesa Aminata Traoré; pela Europa, o ex-ministro de Finanças da Grécia Yanis Varoufakis; da Ásia, o ambientalista indiano Ashish Kothari, além da professora Leila Khaled, da Frente Popular pela Libertação da Palestina.

“O mundo está vivendo situações trágicas, não só com a pandemia. Mas com o agravamento muito intenso da desigualdade social, da questão ambiental em todas as partes. São crises do capitalismo que se superpõem e se realimentam”, afirmou o jornalista Carlos Tibúrcio, co-fundador do FSM, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta terça-feira (12).

Fora Bolsonaro

Além das atividades programadas, Tibúrcio destaca que o Fórum Social Mundial é conhecido pela realização de inúmeras atividades autogestionadas criadas pelos próprios movimentos.

Numa dessas atividades, organizações brasileiras – como as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo – devem realizar protesto contra os desmandos e autoritarismos do governo de Jair Bolsonaro. “Queremos dar uma dimensão internacional à postura de crítica e combate a esse governo neofascista”, destacou o jornalista.

Programação

Após a cerimônia de abertura, ao longo da semana serão seis dias de discussões, com cinco painéis temáticos: Paz e Guerra; Justiça Econômica; Educação, Comunicação e Cultura; Feminismo, Sociedade e Diversidade; Povos Originários e Ancestrais; Justiça Social e Democracia e, por último, Clima, Ecologia e Meio Ambiente. Os debates ocorrerão entre às 14h e 16h, pelo horário de Brasília.

Já no sábado, dia 30, ocorrerão as assembleias autônomas dos movimentos. No domingo, é a vez da realização das Ágoras de Futuros, que devem definir as lutas sociais para o próximo período. Na sequência, ocorrerá a cerimônia de encerramento, que também anuncia a próxima edição do Fórum, que ocorrerá no México, ainda sem data definida, em função da pandemia.

Pelo site wsf2021.net, é possível se inscrever, individual ou coletivamente, além de acompanhar a programação. Os participantes também podem cadastrar propostas e iniciativas a serem discutidas.

Assista à entrevista

Redação: Tiago Pereira