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Para 83%, racismo e discriminação cresceram em São Paulo, diz pesquisa

Pesquisa da Rede Nossa São Paulo sobre relações raciais em São Paulo revela, também, que 85% dos entrevistados concordam que o racismo prejudica o desenvolvimento da cidade

Pixabay
Para 75% da população paulistana, racismo é um problema central na cidade e deve ser enfrentado com políticas públicas

São Paulo – As declarações do presidente Jair Bolsonaro e de seu vice, Hamilton Mourão, negando existir racismo no Brasil, não condizem com o que pensa boa parte dos brasileiros. Sobretudo a população paulistana. Segundo a edição de 2020 da pesquisa “Viver em São Paulo: Relações Raciais”, da Rede Nossa São Paulo, o racismo existe e está em alta na capital paulista. De acordo com o levantamento, chega a 83% das pessoas entrevistadas a percepção de que discriminação contra a população negra aumentou nos últimos dez anos.

O estudo buscou identificar, além da percepção sobre discriminação em São Paulo, a opinião sobre medidas que possam ajudam a combater o racismo na cidade. E também a sensação em relação ao impacto dos protestos ocorridos em diferentes lugares do mundo – especialmente depois da morte do norte-americano George Floyd. A Rede Nossa São Paulo quis saber ainda qual o papel das pessoas brancas no combate ao racismo, entre outras questões. É importante ressalvar: a pesquisa, em parceria com o Ibope Inteligência, foi feita em setembro. Portanto, antes das repercussões desencadeadas pelo assassinato de João Alberto Silveira Freitas por seguranças do Carrefour na quinta-feira (19), em Porto Alegre.

Para 82% das paulistanas e paulistanos, declarações com conteúdo racista ou preconceituoso feitas por políticos – como costumeiramente faz Bolsonaro – estimulam o racismo ou o preconceito.

Onde está o racismo em São Paulo

Em sete de oito locais avaliados pela pesquisa prevalece a percepção de que existe diferença no tratamento de pessoas negras e pessoas brancas. E em todos eles houve crescimento em relação a 2019.

  • Shoppings e comércio: 81% (12% a mais do que 2019)
  • Ruas e espaços públicos:75% (11% a mais do que em 2019)
  • Escola/ faculdade: 77% (15% a mais do que em 2019)
  • Trabalho: 74% (14% a mais do que em 2019)
  • Transporte público: 70% (13% a mais do que em 2019)
  • Hospitais e postos de saúde: 65% (13% a mais do que em 2019)
  • Local onde mora: 57% (21% a mais do que em 2019)
  • Ambiente familiar: 37% (15% a mais do que em 2019)

Além disso, para 74% das pessoas entrevistadas, os negros têm menos oportunidade do que brancos no mercado de trabalho. Mas 21% ainda acreditam que as oportunidades são iguais.

Confira a pesquisa completa


Efeitos do racismo para São Paulo

De acordo com o levantamento, 75% da população paulistana vê o racismo como um problema central na cidade e deve ser enfrentado com políticas públicas específicas.

A grande maioria das pessoas entrevistadas (85%) concorda que o racismo prejudica o desenvolvimento local. E 84% dos paulistanos concordam que a violência policial afeta principalmente as pessoas negras. Além disso, para 83%, as mobilizações internacionais antirracismo foram importantes para combater o preconceito.

Para 80%, aumentar a representatividade das pessoas negras na política e nos cargos de poder contribui para diminuir as desigualdades estruturais. E para 77% os partidos devem dedicar fundos de forma proporcional às campanhas de candidatos brancos e negros.

Segundo as pessoas entrevistadas, o aumento da punição por injúria racial e racismo e punições mais severas para policiais são as medidas que mais contribuem para o combate ao racismo na cidade de São Paulo, sendo citadas por 48% e 41% respectivamente.

Já 33% acreditam que debater o tema em escolas e incluir no currículo escolar é a melhor medida; 22% mencionam ser uma maior conscientização nas contratações e promoção de pessoas negras nos diversos setores, e 20% apontam ações das empresas para combater racismo entre funcionários e clientes;. Já 18% defendem eliminar as cotas raciais nas universidade e em outras instituições; 14%, marcas e empresas se posicionarem em campanhas sobre o racismo; 13%, ampliar as cotas raciais nas universidades públicas, e 11% pontuam cotas raciais em cargos de poder de decisão.


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