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Covid-19 deixa metade das crianças refugiadas fora da escola

“Adaptar-se às limitações impostas pela covid-19 tem sido especialmente difícil para 85% dos refugiados do mundo que vivem em países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos”, diz a Acnur

acnur/onu
Agência da ONU para refugiados pede engajamento da sociedade civil, do empresariado e dos Estados no enfrentamento do problema

São Paulo – A pandemia de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, trouxe novos parâmetros em relação à educação infantil. A adaptação da realidade para a manutenção do desenvolvimento em tempos de isolamento social e aulas presenciais suspensas é refém da desigualdade. Muitas crianças passam por dificuldades por falta de acesso à internet, o que afeta populações em situações mais frágeis, como a de refugiados.

A Agência da ONU para Refugiados (Acnur) fez um alerta nesta semana sobre o problema. “Se a comunidade internacional não tomar medidas imediatas e ousadas para combater os efeitos catastróficos da covid-19 na educação de pessoas refugiadas, o potencial de milhões de jovens refugiados que vivem em algumas das comunidades mais vulneráveis ​​do mundo ficará ainda mais ameaçado”, afirma a entidade.

O documento da organização leva em conta que crianças de todos os substratos sofrem com dificuldades no desenvolvimento e aprendizagem em tempos de pandemia. Entretanto, medidas são necessárias para atender os jovens particularmente desfavorecidos. “Metade das crianças refugiadas do mundo já estava fora da escola”, disse o alto-comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi. “Depois de tudo o que passaram, não podemos roubar seu futuro negando-lhes educação”, completou.

Engajamento

As ações da Acnur chamam a atenção para a necessidade de apoio dos Estados no tratamento da questão. No Brasil, por exemplo, sequer existem políticas voltadas para refugiados em relação à covid-19. De fato, o governo Bolsonaro, pouco fez em termos gerais, mesmo para com os brasileiros.

“Apesar dos enormes desafios impostos pela pandemia, com maior apoio internacional aos refugiados e às comunidades que os acolhem, podemos criar formas inovadoras para proteger os avanços essenciais alcançados na educação de refugiados nos últimos anos”, disse Grandi, com olhar de esperança sobre o engajamento internacional.

O epílogo do relatório da Acnur, intitulado Unindo Forças pela Educação de Pessoas Refugiadas, conta com depoimento do jogador de futebol egípcio Mohamed Salah, que é engajado na questão dos refugiados e atua como embaixador da Acnur. “A menos que todos façam sua parte, gerações de crianças — milhões delas em algumas das regiões mais pobres do mundo — enfrentarão um futuro sombrio. Mas se trabalharmos como equipe, poderemos dar a elas a chance que merecem de ter um futuro digno. Não vamos perder esta oportunidade”, afirma o esportista.

Adesão

Esforços globais em relação às matrículas de crianças refugiadas no ensino dos países de destino surtiram efeitos nos últimos anos. Cerca de 77% das crianças que tiveram de abandonar seus países por razões diversas como guerras ou crises climáticas entram nesta conta. Isto, levando-se em conta os 12 países que mais recebem refugiados, majoritariamente europeus. O Brasil, ao contrário do que aponta parte do senso comum, não possui ampla porcentagem de refugiados. São 11.231 pessoas, sendo 36% sírios. Entretanto, a porcentagem cresce exponencialmente (300% de 2019 para 2020).

Embora os dados apontassem para tal cenário, a covid-19 traz novas barreiras. Hoje, mais da metade das crianças já saíram do sistema de educação. “Adaptar-se às limitações impostas pela covid-19 tem sido especialmente difícil para 85% dos refugiados do mundo que vivem em países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos. Telefones celulares, tablets, laptops, conectividade e até aparelhos de rádio muitas vezes não estão disponíveis para as comunidades que foram forçadas a se deslocar”, explica a Acnur.

Por fim, o relatório pede engajamento da sociedade civil, do empresariado e dos Estados no enfrentamento do problema. “Precisamos unir forças para encontrar soluções que fortaleçam os sistemas nacionais de educação e se conectem com os caminhos para a educação formal e certificada, e para garantir e salvaguardar financiamento para a educação (…) Sem essas ações, corremos o risco de perder uma geração de crianças refugiadas privadas de educação.”


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