Violência

Policial pisa no pescoço de mulher negra em São Paulo

“Quanto mais eu me debatia, mais ele apertava a botina no meu pescoço”, disse a vítima

REPRODUÇÃO
O policial militar chega a apoiar todo o peso do corpo sobre a vítima. 'Quanto mais eu me debatia, mais ele apertava a botina no meu pescoço', disse ela.

São Paulo – Um policial branco pisou sobre o pescoço de uma mulher negra, de 51 anos, na zona sul de São Paulo. Dona de um bar, em Parelheiros, ela tentou defender um amigo, também vítima de violência policial, quando foi agredida e asfixiada.

As imagens obtidas pela TV Globo mostram a cena ocorrida em 30 de maio – cinco dias após a morte de George Floyd. Os policiais foram chamados para controlar um cliente que usava um veículo com volume de som alto. A dona do bar afirma ter pedido ao policial para não bater mais no homem, que estaria desacordado após ser agredido com joelhadas no rosto.

Um segundo policial aproximou-se da mulher e a empurrou contra uma grade. A vítima diz ter sido agredida com três socos e derrubada com uma rasteira. Na queda, teve fratura na tíbia.

Em seguida, a mulher aparece deitada de bruços, no meio-fio, e imobilizada. O policial pisa no pescoço da mulher e chega a apoiar todo o peso do corpo sobre a vítima. “Quanto mais eu me debatia, mais ele apertava a botina no meu pescoço”, disse ela à reportagem da emissora.

A comerciante foi levada ao hospital com ferimentos e com a perna quebrada. Depois, foi levada para uma delegacia e ficou detida até o dia seguinte. Já os policiais alegaram que foram atacados e registraram um boletim de ocorrência por desacato, lesão corporal, desobediência e resistência.

Repercussão

A agressão contra a mulher da zona sul paulistana lembrou as cenas que antecederam a morte do segurança negro George Floyd, nos Estados Unidos. O homem ficou sob os joelhos de um policial, também branco, por quase nove minutos e acabou morrendo, por asfixia.

A deputada estadual pelo Rio de Janeiro Renata Souza (Psol) classificou a ação do policial militar, em São Paulo, como “apavorante”. “Ver uma mulher negra, de 51 anos, ser esganada com a bota e o peso do policial sobre o seu pescoço em SP. Não podemos compactuar com esse tipo de abordagem. Floyd foi morto com tática parecida nos EUA. O racismo mata todos os dias. Vidas negras importam”, publicou nas redes sociais.

Monica Seixas, deputada estadual em São Paulo também pelo Psol, lembra que essas ações são reflexo das políticas adotadas pelo Estado. “Mais um flagrante do genocídio da população negra incentivado por Bolsonaro e Doria. A cena lembra muito o assassinato de George Floyd. Não é um caso isolado. Isso precisa parar”, criticou.

O governador João Doria declarou, na noite de domingo, por meio de redes sociais, que os policiais militares que agrediram a mulher já foram afastados e responderão a inquérito. “As cenas exibidas no Fantástico causam repulsa. Inaceitável a conduta de violência desnecessária de alguns policiais. Não honram a qualidade da PM de SP.”