Pressão popular

Movimentos que pedem ‘Fora Bolsonaro’ se manifestam nas ruas e redes nesta sexta

Jornada nacional pelo #ForaBolsonaro se estende até sábado (11). Frentes de luta e movimentos populares confirmam manifestações em 20 estados

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No ato desta sexta, movimento promove twittaço às 11h e panelaço por 'Fora Bolsonaro' às 20h

São Paulo – A luta pelo “Fora Bolsonaro” ganha um novo episódio nesta sexta-feira (10), quando um conjunto de frentes, partidos políticos, entidades dos movimentos populares, sociais e sindicais volta às redes e às ruas para cobrar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Organizadas pela Central dos Movimentos Populares (CMP) e pela União Nacional por Moradia Popular (UNMP), atos de protesto já foram confirmadas em 20 estados. 

As atividades são parte da Jornada Nacional pelo “Fora Bolsonaro” que se estende até sábado (11). No primeiro dia do ato, movimentos planejam ações simbólicas, em respeito às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) na pandemia. Cruzes serão fincadas para protestar contra o número de mortes evitáveis pela covid-19. Haverá assembleias em locais de trabalho, e a população poderá mostrar seu apoio ao movimento, colocando panos pretos em janelas. 

Às 11h, está programado um tuitaço com a hashtag #ForaBolsonaro. Um ato inter-religioso deve ocorrer às 19h e a programação do primeiro dia da jornada se encerra uma hora depois, com um panelaço. 

Pressão pelo ‘Fora Bolsonaro’

A CMP e a UNMP também estão organizando em 20 estados cerca de 60 a 80 ações simultâneas. Pequenos grupos de uma mesma localidade devem sair em protesto às 17h. “Nós entendemos que sem pressão popular, mesmo no período de isolamento, não teremos êxito na saída do Bolsonaro”, explica o coordenador da CMP e da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim.

Em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual, ele afirma que esse conjunto de ações parte da unidade dos movimentos por uma luta concreta. “O nosso propósito é o ‘Fora Bolsonaro’, mas também reivindicar moradia, acesso à saúde, à renda, ao emprego e à água”, destaca. “Nós queremos afastar o Bolsonaro, mas queremos criar condições e força social para derrotar a política que é implementada não só por ele, como indivíduo, mas pelas forças políticas que deram o golpe em 2016”, adverte. 

“Atacaram os direitos trabalhistas e previdenciários com as ‘deformas’. Eles acabaram com o programa Minha Casa, Minha Vida. E agora o projeto que abre caminho escancara a privatização a água e o saneamento. A pandemia evidenciou o quão desigual é o nosso país e é por isso que nós, quando levamos a bandeira do ‘Fora Bolsonaro’, também colocamos esses itens”, acrescenta Raimundo.

Jornada segue no sábado

A jornada de luta volta a ocorrer no sábado, a partir das 14h. O conjunto de movimentos realiza uma plenária virtual, em âmbito nacional, para avaliar as ações e os próximos passos da campanha pelo “Fora Bolsonaro”. A plenária poderá ser acompanhada pelas redes sociais . O propósito das ações é reforçar a oposição ao que Bolsonaro representa, como o “próprio atentado à democracia e aos direitos das pessoas”. 

“O impeachment é um processo de pressão, uma decisão política. E não é porque nós não temos os votos necessários hoje para um processo de impeachment que não temos que trabalhar para incidir e pressionar a Câmara, o Senado e os órgãos de Justiça a darem seguimento. São três alternativas de afastamento, ao menos hoje. Nós precisamos retomar um projeto popular e democrático”, defende Raimundo Bonfim.

A CMP e a UNMP estão entre as 641 pessoas e organizações que já assinaram pedidos de impeachment de Bolsonaro. Para as entidades, o presidente comete crime de responsabilidade, além de atentar contra a saúde e dignidade humana. De acordo com levantamento da Agência Pública, ao todo, 45 pedidos de impeachment já foram enviados ao presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).