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Em São Paulo, 67% são contra reabertura do comércio. E 76% defendem isolamento social

Pesquisa da Rede Nossa São Paulo mostra que maior parte dos paulistanos se preocupa mais com a saúde que com a economia e não quer reabertura do comércio

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É possível reabrir um shopping, como este em Blumenal (SC), sem provocar aglomeração e seguir protocolo de distanciamento? População vê contradições no discurso político

São Paulo – Na capital paulista, 67% da população avalia que a reabertura do comércio não deve ocorrer imediatamente. E para 76% não está na hora de relaxar o isolamento social na cidade. Os dados são resultado de uma nova pesquisa do Ibope, em parceria com a Rede Nossa São Paulo, sobre a vida dos paulistanos em meio à pandemia de coronavírus. Metade dos paulistanos têm como principal preocupação a saúde da família e o medo de que o sistema de saúde entre em colapso. A preocupação com a piora da economia é prioridade para 27%. A pesquisa ouviu 800 pessoas pela internet.

Para a maioria dos entrevistados, em vez de promover a reabertura do comércio, o poder público deveria agir com firmeza para aumentar a taxa de isolamento social na cidade de São Paulo. E as medidas para viabilizar isso são a garantia de emprego e renda para que as pessoas não precisem sair para trabalhar (46%); aumentar a fiscalização de estabelecimentos comerciais que abrirem sem autorização (40%); e restringir a circulação de pessoas nas ruas apenas para atividades essenciais (39%).

Apontando a importância da divulgação clara de informações sobre o avanço da pandemia, 57% das pessoas dizem que passariam a sair menos de casa se recebessem informações oficiais de que o seu bairro ou até a sua rua tem altas taxas de contaminação e mortes por causa da covid-19. Outros 40% dizem que não mudariam a rotina, pois já estão fazendo o máximo possível para ficar isolados.

Segunda a pesquisa, 87% dos paulistanos consideram que a pandemia deixou claro que a cidade de São Paulo precisa investir na redução das desigualdades. Uma das situações que se destaca nessa pandemia é o fato de 60% das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) estarem concentrados em três distritos da cidade.

Agentes públicos

“Essa pandemia escancarou o desafio das desigualdades. Escancarou que, qualquer crise que vier, quem vai ser mais impactado são as pessoas mais vulneráveis. E essas desigualdades são realmente estruturantes e precisam ser abordadas porque se não vamos estar sempre reféns desses grandes desafios”, afirmou Carol Guimarães, coordenadora da Rede Nossa São Paulo.

O presidente Jair Bolsonaro segue sendo o mais mal avaliado em suas ações em meio à pandemia de coronavírus. Para 66% dos entrevistados, as medidas tomadas por ele não são adequadas para o enfrentamento da pandemia.

Apesar de ainda serem mais bem avaliados que Bolsonaro, o governador de São Paulo, João Doria, e o prefeito da capital, Bruno Covas, ambos do PSDB, tiveram queda significativa na avaliação positiva. O percentual de paulistanos que consideram as ações deles adequadas caiu de 68%, no início de maio, para 51%, agora. Em parte devido a medidas fracassadas, como o novo rodízio, e ações para reabertura do comércio e flexibilização da quarentena.

“As mensagens desencontradas, as mensagens de isolamento e posterior flexibilização, realmente estão causando uma confusão. Elas não são boas nesse momento que a gente precisa realmente de uma coesão social e trabalhar conjuntamente pra combater esse vírus. Esses líderes políticos não estão mostrando essa liderança tão necessária nesse momento, que não tem precedente e não tem protocolo”, avaliou Carol.

Impacto econômico

Os dados da pesquisa anterior da Rede Nossa São Paulo mostraram que 64% dos paulistanos sofreram perda na renda em meio à pandemia de covid-19. Dentre os entrevistados do levantamento atual, 27% declararam ter atrasado o pagamento de alguma conta de consumo de energia, água ou gás, nos últimos 30 dias. Outros 24% atrasaram o pagamento da internet fixa, enquanto 21% pagaram com atraso o financiamento de automóvel. Além disso, 17% dos entrevistados deixaram de pagar financiamento de imóvel ou empréstimos.