Da arquibancada pra rua

Torcidas organizadas promovem ações sociais durante a pandemia

Associação estima que 50 toneladas de alimentos já foram entregues só em São Paulo

Tuane Fernandes/Gaviões da Fiel
Gaviões da Fiel, por exemplo, realiza mais de uma atividade social, através da doações de alimentos

São Paulo – Integrantes de torcidas organizadas estão se mobilizando durante a pandemia do coronavírus, apesar da paralisação do futebol. Sem poder gritar gol, o objetivo da união é promover ações sociais, distribuindo alimentos, itens de higiene e cobertores.

A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) estima que já foram distribuídas, só em São Paulo, 50 toneladas de alimentos. Esse número devem chegar a 70 toneladas até o fim desta semana. “Há ações todos os dias nas regiões mais carentes da cidade”, relata o presidente da entidade, Alex Minduim.

A mobilização é feita por torcedores de todos os quatro grandes clubes paulistas. A Gaviões da Fiel, do Corinthians, por exemplo, faz doações semanais, no centro da capital, de máscaras descartáveis a marmitas.

A entidade também atende os mais de 200 colombianos que dormem, há semanas, no aeroporto internacional de Guarulhos, à espera de ajuda para voltar para a Colômbia. Os imigrantes estão sem dinheiro para voltar ou se hospedar no Brasil.

Danilo Pássaro, um dos articuladores da ação, afirma que são entregues 200 marmitas todos os dias no local. “São 250 pessoas, incluindo crianças recém-nascidos”, relata. “A gente também está arrecadando cinco mil cestas básicas para entregar nas periferias”, acrescenta.

Assistência

As torcidas organizadas possuem um histórico de ações sociais. Na madrugada de 1º de maio de 2018, o Edifício Wilton Paes de Almeida, no centro da capital paulista, foi alvo de um incêndio, deixando 240 famílias desabrigadas. Minduim lembra que o primeiro auxílio veio dos são-paulinos da Torcida Independente.

“As torcidas são agentes que tomam a frente mais rápido que o Estado. Quando houve o incêndio naquela ocupação no Largo do Paissandu, foram as organizadas que deram a primeira assistência, com cobertores e alimentos”, conta.

Entretanto, Pássaro lembra que essas ações dos torcedores se tornam mais importantes diante do isolamento social provocado pela pandemia, que provoca a queda de renda dos trabalhadores informais, por exemplo.

“Isso é muito necessário diante dos míseros R$ 600, fora a burocracia para receber esse dinheiro. Aliás, vale lembrar que se dependesse do governo Bolsonaro seriam R$ 200. Por isso, as ações das torcidas se tornam serviços essenciais, ainda mais num país onde a maioria dos trabalhadores são informais e estão sem renda”, afirmou.

Torcidas articuladas

Formado por torcedores palmeirenses progressistas, o coletivo Porcomunas faz a entrega de 50 marmitas, todos os dias, em locais da região central como o Bixiga (Bela Vista) e Liberdade.

Marcos Gama, integrante da torcida, explica que a sede da torcida é utilizada para fazer a ação, onde foi criado um revezamento. “Tem tanta gente querendo ajudar que fizemos até uma escala. Durante a semana, fazemos as marmitas e vamos distribuir. Agora, começamos a receber cobertores e itens de higiene para levar às ruas”, explica.

Na semana passada, a torcida Dragões da Real arrecadou mais de mil agasalhos. Os são-paulinos também produzem, semanalmente, mil marmitas para entregar na região central de São Paulo.

O departamento social da Torcida Jovem do Santos também realiza ações, toda semana, pela capital. Estima-se que cerca de 150 marmitas e garrafas de água são entregues aos sem-teto.