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Bancários e entidades indígenas se unem para conter avanço da pandemia entre o povo Xavante

Campanha SOS Xavante será lançada nesta quarta (24), às 19h, no Facebook. Objetivo é arrecadar fundos e doações para atendimento emergencial dos indígenas do Mato Grosso

Marcelo Camargo/EBC
Os cerca de 22 mil Xavante, quase todos habitando o Mato Grosso, estão entre os mais fragilizados e precisam de proteção de emergência

São Paulo – A Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CUT), a Federação dos Povos Indígenas do Mato Grosso (Fepoimt) e o Conselho Distrital de Saúde Indígena Xavante (Condisi Xavante) lançam, nesta quarta-feira (24), a campanha solidária A’UWE TSARI – SOS Xavante. Uma iniciativa online de ajuda emergencial para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus entre os povos Xavante.

Os quase 22 mil indígenas que habitam no Mato Grosso estão entre os grupos mais vulneráveis desta crise sanitária e econômica. De acordo com as entidades, os Xavantes necessitam de imediata proteção, do contrário, o risco é que a população de indígenas sofra um genocídio. O lançamento ocorre às 19h, em live na página SOS Xavante, no Facebook e no Youtube, com as lideranças da comunidade.

O objetivo é sensibilizar os bancários e toda a sociedade brasileira, além da opinião pública internacional. E arrecadar fundos para o atendimento sanitário e alimentar durante a pandemia. A campanha também conta com a participação dos Expedicionários da Saúde, o The Nature Conservancy Brasil, a Revista Xapuri e a Operação Amazônia Nativa (Opan). 

No início deste mês de junho, a Opan publicou um relatório técnico alertando o poder público sobre a elevada vulnerabilidade dos xavantes. A grave situação sanitária e social desta população tornou-se mais evidente após a morte de um bebê, de apenas oito meses, em 11 maio. Foi o primeiro óbito entre os indígenas no estado.

Diagnóstico da vulnerabilidade 

Com base nos dados do Distrito Sanitário de Saúde Indígena (Dsei) Xavante, os técnicos da Opan identificaram que apenas 8,5% das 317 aldeias contam com uma Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI). “Fato que deixa cerca de 91,5% das comunidades locais descobertas de medidas de vigilância boa parte do tempo”, destaca o relatório. 

O estudo também observou uma alta proporção de indígenas no chamado grupo de risco da covid-19, com a prevalência de comorbidades como hipertensão, diabetes e obesidade. O risco de contágio e propagação do vírus também seria alto devido à organização das aldeias, com casas muito próximas umas das outras e um número elevado de pessoas por habitação. 

Até esta terça-feira (23), a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) havia confirmado 52 novos casos de covid-19 e outros 49 infectados com a doença que ainda não completaram os 14 dias de isolamento domiciliar. Ao menos 18 indígenas são suspeitos de estarem com o coronavírus. No boletim, a Sesai confirma uma morte. Os relatos entre a comunidade revelam, no entanto, que esse número pode ser bem maior. 

O Comitê Nacional Pela Vida e Memória Indígena, formado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), contabiliza sete óbitos em todo o Mato Grosso. No geral, o rápido avanço da pandemia fez com os indígenas se tornassem uma das populações mais vulneráveis à covid-19. De acordo com dados do comitê, 111 povos originários já foram atingidos pela doença, que registra 7.753 casos confirmados. Ao todo, 349 indígenas morreram vítimas do coronavírus.

SOS Xavante para salvar também a história

As entidades que se uniram pela campanha SOS Xavante criticam a falta de articulação entre os governos para enfrentar a crise sanitária nas comunidades tradicionais. O presidente da Fetec-CUT/CN, Cleiton Santos, destaca à entidade sindical que é “urgente agir rápido para impedir mais um genocídio dos povos indígenas no Brasil”. 

“Nossa prioridade é levar atendimento médico via unidade de isolamento avançada e testes rápidos e garantir segurança alimentar e prevenção do contágio, com cestas-básicas, máscaras, kit de higiene etc. de acordo com as prioridades locais”, explica o presidente da Fetec-CUT/CN. 

A campanha solidária leva o nome escolhido pela próprias lideranças indígenas. Simbolizando o significado de “gente, povo”, uma tradução para A’uwe. E “vida feliz e saudável”, a “cura pela natureza”, descrita pela palavra tsari. A ideia é contribuir para salvar essas vidas fundamentais para a história e o futuro do país.