Necropolítica

Racismo: ‘Se a gente não morre de covid, morre na ponta do fuzil’, diz conselheira de saúde

Para Jupiara de Castro, integrante do CNS, descaso de Bolsonaro é parte do projeto de extermínio: maioria dos mortos de covid são negros

Paula Froes/Governo Bahia
Racismo permeia projeto político de extermínio da população negra, que se aproveita da crise sanitária do novo coronavírus

São Paulo – Em live no final da tarde de hoje (17) para discutir o impacto da pandemia de covid-19 na população negra, Jupiara Gonçalves de Castro, integrante do Conselho Nacional de Saúde (CNS), foi direto ao ponto. A omissão do governo de Jair Bolsonaro diante da pandemia que já matou mais de 46.500 pessoas no Brasil – em sua ampla maioria negros – é mais uma estratégia de seu projeto político que inclui a destruição do país e o extermínio dos negros e pobres.

“Um projeto racista, fascista, homofóbico, que trabalha pelo extermínio da população preta, pobre e periférica. Quem é que está morrendo nessa pandemia? No Rio de Janeiro dão golpes, contratam empresas fraudulentas para fornecer equipamentos, gerir hospitais. Em todo lugar a população periférica não tem água para lavar as mãos, não tem condições de fazer isolamento. E a ajuda emergencial, que deveria chegar a quem precisa, grupo formado em maioria pelos pretos, Se perde em meio aos apaniguados do governo federal”, disse Jupiara, representante da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos das Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) e que ocupa assento dos trabalhadores no CNS.

A conselheira foi além: “O responsável por essa situação é o ministro Paulo Guedes e seu chefe, o presidente Bolsonaro. É preciso muita coragem para para puni-los por esses crimes. É o assassinato da população negra. Se a gente não morre de covid, morre na ponta do fuzil”, disse, referindo-se ao aumento de pessoas negras assassinadas pela polícia.

Jupiara destacou ainda o racismo institucional, que além de saúde, nega aos negros a educação necessária para combatê-lo. “Nossos quilombos sofrem invasões desde sempre. Quem já tem terra quer as nossas para acumular, para fazer pastagem. E ele (Bolsonaro) já disse que nada fará por nós. Temos de dar um basta”.

Quilombos

Em sua participação na live, Mariah Fernandes, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), apresentou dados coletados pela entidade. Nos últimos 67 dias morreram de Covid-19 pelo menos 80 pessoas nesses territórios.

“O Conaq está fazendo boletins epidemiológicos, cobrando ações das autoridades omissas. Está praticamente gritando todos os dias sobre a situação”, disse Mariah.

Participaram ainda da live os conselheiros do CNS Altamira Simões, representante da Rede Nacional Lai Lai Apejo – Saúde da População Negra e Aids; Vanilson Torres, do Movimento Nacional População em Situação de Rua (MNPR) e Charles Tocantins, vice-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Assista a live na íntegra: