Crime de ódio

Mulheres do ABC paulista criam frente para combater o feminicídio

Feminicído aumenta 22,2% em 12 estados no período do isolamento. “Crime que tem raízes culturais fortes”, afirma Fórum de Segurança Pública

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“É um crime que tem raízes culturais bastante fortes”, afirma a coordenadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Juliana Martins

São Paulo – No ABC paulista, mulheres se reúnem e criam uma frente regional para enfrentar o feminicídio. Esse problema, que já era um drama nacional, apresenta números ainda piores nesta época de pandemia. Diante desse quadro, destacam-se iniciativas como a da Frente Regional do ABC de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, como mostra a reportagem de André Gianocari no Seu Jornal desta terça-feira (2), na TVT.

O feminicídio acontece quando a pessoa se torna vítima pelo simples fato de ser mulher. Tanto faz o gênero do homicida para configurar esse crime de ódio. No entanto, na maioria das vezes, o homem é o assassino.

“É um crime que tem raízes culturais bastante fortes”, afirma a coordenadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Juliana Martins. “Normalmente esses homens cometem o crime após um rompimento de um relacionamento em que ele não aceita não ser o autor do fim da relação. São crimes em que o homem está naquele lugar em que ele não reconhece mais o seu lugar de poder”, afirma Juliana.

Confira a reportagem

Entre março e abril os casos de feminicídio cresceram 22,2% no país em comparação a igual período do ano passado, segundo levantamento do FBSP, realizado em 12 estados. O número de feminicídios subiu de 117 para 143.

“No Brasil a gente tem assistido a um aumento de da violência de gênero nos últimos anos. Esses números de feminicídio vêm aumentando já antes da pandemia. E agora essa pandemia nos traz uma situação que nos mostra que o problema que era grave e preocupante agora está pior”, diz Juliana.

O isolamento social em função da covid-19 pode virar um pesadelo para quem sofre violência doméstica. Segundo Dulce Xavier, da frente lançada no ABC Paulista, com o agressor o tempo todo do lado e ainda com uma dificuldade financeira maior “a mulher fica numa dependência maior ainda do seu agressor. A dificuldade para ela pedir ajuda é muito grande e a convivência com o agressor o tempo todo a vulnerabiliza, o que aumenta o conflito e a violência”.

A frente regional do ABC destaca que nas periferias a mulher tem mais dificuldade em conseguir ajuda. “Uma mulher de periferia que tem dificuldade para ter acesso à internet e tem um celular que às vezes a família toda usa, ou às vezes nem tem celular e as moradias são bem menores, não têm espaço onde a mulher tenha a privacidade para fazer uma ligação em busca de ajuda. Isso tudo vulnerabiliza muito mais do que em relação à mulher que está em outra situação”, diz Dulce.

“No Brasil a gente tem assistido a um aumento de da violência de gênero nos últimos anos. Esses números de feminicídio vem aumentando já antes da pandemia. E agora essa pandemia nos traz uma situação que nos mostra que o problema que era grave e preocupante agora está pior”, afirma.