Periferia de SP

Rede Brasilândia Solidária promove ações de combate ao coronavírus

Na Brasilândia, o distrito paulistano com mais mortes pela Covid-19, moradores tentam evitar novas contaminações com informações e solidariedade

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Além de divulgar medidas de prevenção, Rede Brasilândia Solidária também atua na distribuição de alimentos, materiais de limpeza, álcool gel e máscaras

São Paulo – Na cidade epicentro da Covid-19 no Brasil, as taxas de isolamento social caem cada vez mais e as periferias paulistanas sentem os impactos. O distrito da Brasilândia, zona norte da capital, contabiliza o maior número de mortes em decorrência do novo coronavírus. Já são 103 vítimas fatais. E é com a solidariedade que os moradores tentam evitar mais contaminações e mortes.

“Precisamos usar a informação”, destaca o integrante da Rede Brasilândia Solidária Jabes Campos. A rede atua na região levando informes e medidas de prevenção com um carro de som que circula por toda a Brasilândia. “Os gerentes da UBS (Unidade Básica de Saúde) resolveram comprar essa ideia e nós fomos para a rua. Mas temos feito outras ações importantes contra o coronavírus. São mais de 20 costureiras voluntárias produzindo máscaras pra gente distribuir à população”, descreve Campos em entrevista à repórter Dayane Ponte, do Seu Jornal, da TVT

Heliópolis, na zona sul, com mais de 100 mil habitantes, também adotou medidas para estimular a população a tomar os cuidados para evitar que o coronavírus se espalhe.

Para entender a percepção da população sobre a pandemia, a Rede Nossa São Paulo realizou mais uma pesquisa da série Viver em São Paulo – Especial Pandemia. E identificou que, 81% das pessoas consultadas, acreditam que as periferias sofrerão ainda mais com o coronavírus. 

O que conta é o CEP

Na prática, os dados da Secretaria Municipal de Saúde já comprovam isso, como mostra reportagem da RBA. Nos últimos 15 dias, as mortes por Covid-19 cresceram até 180% nas bordas da cidade.

“Em um país como o Brasil tão desigual, e em uma cidade desigual como São Paulo, o que comanda onde ele (o vírus) está atuando é o CEP”, critica o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão. “É inconcebível a gente pensar que a desigualdade está cobrando vidas das pessoas. Isso eu acho que chega em um limite, que é um limite que nós não deveríamos aceitar que ele fosse ultrapassado”, lamenta Abrahão.