"Viver" em SP

Pandemia de covid-19 já reduziu renda de 64% dos paulistanos

Maioria dos paulistanos sofreu perda na renda, apoia medidas de isolamento na pandemia e considera que Bolsonaro ajuda mais as empresas do que a população

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Situação da população mais pobre tende a piorar com perda na renda em meio a pandemia de coronavírus

São Paulo – A perda de renda decorrente da pandemia de coronavírus afeta 64% dos paulistanos, segundo a pesquisa Viver em São Paulo, organizada pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ibope, divulgada hoje (5). Destes, 22% perderam completamente suas fontes de receita – por terem sido demitidos ou não poder trabalhar –, 25% disseram que a renda diminuiu muito e 17% declararam que a queda foi pequena. Apesar de agravar a crise econômica, a maioria aprova as medidas de isolamento social e entende que o governo Bolsonaro ajuda mais as empresas do que os trabalhadores brasileiros.

Dos 800 entrevistados, 6% declararam terem sido demitidos em meio à pandemia e 61% tiveram algum tipo de alteração na jornada de trabalho, e 21% ficaram temporariamente sem trabalhar. Outros 7% sofreram algum tipo de aumento na jornada. Além disso, 32% dos que perderam um pouco a renda tiveram a jornada mantida ou aumentada.

Em relação aos temores particulares dos paulistanos provocados pela disseminação da covid-19, os entrevistados relataram a saúde dos familiares e a própria (67%). Outros 11% relataram temer ficar desempregados e 10% temem ter prejuízos financeiros. Segundo os coordenadores do levantamento, esses números mostram que, mesmo com a perda de renda na pandemia, as preocupações financeiras são menores.

Economia e desigualdade

Quando questionados sobre a situação do país, 49% apontaram estar preocupados com a piora na economia e 36% com o aumento das desigualdades sociais.

“Em síntese, a pesquisa nos mostra a importância da valorização da saúde e do investimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Também mostra uma redução na renda dos trabalhadores com impacto na economia das famílias e ressalta a consciência sobre a desigualdade em uma cidade como a nossa e a importância de investir na redução das desigualdades”, destacou o coordenador da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão.

Entre os aspectos políticos da pandemia, 57% disseram reprovar a postura do presidente Jair Bolsonaro, que desde a chegada do coronavírus ao país vem contrariando as recomendações mundiais de organizações e pesquisadores da saúde. Outros 54% consideram que Bolsonaro tomou medidas que beneficiam mais as empresas do que a população.

Por outro lado, 68% apoiam as medidas tomadas pelo governo estadual e a prefeitura de São Paulo, que decretaram quarentena para fortalecer o isolamento social desde 23 de março. Além disso, 62% dos entrevistados dizem valorizar mais o Sistema Único de Saúde (SUS) após a pandemia.

Fique em casa

Do total de entrevistados, 77% disseram estar evitando sair de casa e 68% consideram adequadas as medidas de isolamento social propostas pelo governo de São Paulo. E 37% apoiam o isolamento total da população – o chamado lockdown. Apesar disso, 57% consideram que o isolamento social diminuiu desde o início da quarentena.

Dos que evitam sair de casa, 53% disseram sair de casa apenas para coisas essenciais, como comprar mantimentos ou medicamentos e 19% disseram não estar saindo por nenhum motivo. Outros 19% estão saindo para trabalhar, sendo 12% trabalhadores de serviços essenciais e 3% trabalhadores informais. Apenas 3% dos entrevistados declararam descumprir as medidas de isolamento por não concordar com elas.

Os paulistanos também apontaram como fatores que contribuem para diminuir os impactos da pandemia de coronavírus um maior investimento no SUS (40%), a distribuição de uma renda básica para todas as pessoas (32%), aumentar a testagem para covid-19 (30%), a isenção de pagamento de contas de água, gás e luz e o cancelamento de dívidas (26%) e políticas de proteção para pessoas mais vulneráveis, em situação de rua, baixa renda ou que moram em condições precárias (25%).