Contra o genocídio

Assassinato de João Pedro é lembrado em protesto nacional nesta terça

Mobilização a partir de 18h desta terça-feira nas redes sociais é apoiada por mais de 500 representantes da sociedade civil

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Coalizão: “Nosso manifesto é por João Pedro e também por todas as pessoas que estão na mira do genocídio”

São Paulo — A Coalizão Negra por Direitos realiza nesta terça-feira (26) um ato nacional nas redes sociais, às 18h, pelo sétimo dia da morte João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. João Pedro foi assassinado na segunda-feira passada (18) em sua casa, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), durante operação das polícias Federal e Civil. Para acompanhar a manifestação os internautas devem usar as hashtags #VidasNegrasImportam, #ParemDeNosMatar, #JustiçaPorJoãoPedro e #AlvosDoGenocídio.

Na mesma semana da morte de João Pedro, ações policiais culminaram na morte de João Vitor, 18 anos, e Rodrigo Cerqueira, 19 anos, ambos participando de distribuição de cestas básicas em suas comunidades. Três jovens negros assassinados, pelas polícias, em três dias, no estado do Rio de Janeiro.

“É genocídio. Por ser um jovem negro, o corpo é alvo fácil! Nosso manifesto é por João Pedro e também por todas as pessoas que estão na mira do genocídio! Não estamos, nem ficaremos calados diante do genocídio!”, afirma a Coalizão (@coalizaonegra) ao lançar manifesto pela morte e convocação para o ato nacional.

O manifesto é assinado por mais de 500 entidades e movimentos relacionados aos direitos humanos. “Este crime bárbaro é mais um, que por comover todo país, torna-se símbolo da necropolítica colocada em prática pelo Estado brasileiro, capaz de manter violentas operações policiais em favelas e periferias mesmo em tempos da mais mortal pandemia que o país da viveu. Pedro e sua família obedeciam a orientação do Governador Witzel e dos organismos internacionais de saúde, como forma de se proteger da covid-19. Estavam em casa. Mas para famílias negras no Brasil, a casa, a rua, a comunidade não são sinônimo de segurança”, diz ainda o manifesto.


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De acordo com relatos, os policiais jogaram granadas e atiraram contra a casa. A versão da Polícia Civil afirma que o adolescente foi atingido durante confronto na comunidade, enquanto agentes federais e civis atuavam na região. Ele morava na Praia da Luz, no bairro de Itaoca.

Na ocorrência, João Pedro foi levado em helicóptero da polícia, sem o consentimento da família, que só teve conhecimento da morte do rapaz na manhã da terça (19). Após busca em diversos hospitais, o corpo do adolescente foi encontrado no Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo.