Luto

Aos 63 anos, morre jornalista Gilberto Dimenstein

Fundador do site “Catraca Livre” trabalhou na “Folha de S.Paulo” por 28 anos e lutava contra um câncer no pâncreas desde 2019

Reprodução
Jornalista escreveu diversos livros, entre eles, Cidadão de papel

São Paulo – Morreu nesta sexta-feira (29) o jornalista Gilberto Dimenstein, aos 63 anos. Ele lutava contra um câncer no pâncreas desde 2019. O enterro deve acontecer neste domingo, no bairro do Butantã, na zona oeste paulistana.

Graduado na Faculdade Cásper Líbero, ele foi o fundador do site Catraca Livre. Dimenstein foi também colunista, diretor da sucursal de Brasília e correspondente internacional do jornal Folha de S.Paulo, veículo no qual trabalhou por 28 anos. Também trabalhou na Rádio CBN e no Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Última Hora e nas revistas Visão e Veja.

É autor de livros como O cidadão de papel, publicado em 1994, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura daquele ano na categoria não ficção. Na obra, fala sobre a realidade dos direitos da criança e do adolescente no Brasil dentro de uma discussão sobre a cidadania no país. Dimenstein apoiou, no final dos anos 1990, a criação do Projeto Travessia, iniciativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo voltada a mobilizar empresas e organizações do centro de São Paulo para atender crianças em situação de rua.

Escreveu também A guerra dos meninos, As armadilhas do poder – Bastidores da Imprensa, e Aventuras da reportagem, junto com o também jornalista Ricardo Kotscho, entre outras obras. Crítico dos métodos tradicionais de educação, escreveu ao lado de Rubem Alves Fomos Maus Alunos.

Mundo das gentilezas

Em 30 de dezembro do ano passado, a Folha publicou um relato do jornalista no qual falava a respeito da experiência de conviver com a doença. “Nós vivemos nos meios digitais a era da indelicadeza, 500 mil pessoas criticando. Eu acabei entrando no mundo das gentilezas. Cada pessoa tem uma palavra, um chá, uma dica de oração, um olhar gentil. O outro mundo vai ficando ridículo”, disse.

“Com ou sem câncer vamos todos morrer, e se pudermos antecipar essa sensação, vamos evitar várias bobagens. A clareza maior da morte é uma dádiva. Não é o fim, mas um começo”, relatou.

“Em seu último tuíte, em 16 de maio, ele lamentou a morte de outro jornalista, Luiz Maklouf Carvalho, que lutou contra um câncer de pulmão durante dois anos. “Morreu Luiz Maklouf – um maravilhoso repórter. Mesmo brigando contra o câncer, ele produziu excepcional livro-reportagem sobre Bolsonaro”, postou.


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