Genocídio

Com 13 novos assassinatos em três dias, operações policiais no Rio retomam ‘política do abate’

João Pedro foi a última vítima da violência policial. O garoto de 14 anos foi assassinado em casa, na segunda (18)

Tomaz Silva/Ag Brasil
Coordenadora da Comissão da Alerj lamenta que o genocídio contra a população da periferia continua durante a pandemia do novo coronavírus

São Paulo – Não há operações policiais no Rio de Janeiro, mas uma política do abate, afirma Monica Cunha, coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa fluminense. Na manhã desta quarta-feira (20), ela falou à Rádio Brasil Atual para denunciar os 13 assassinatos cometidos por policiais em comunidades pobres do Rio, desde sexta-feira (15).

Na segunda-feira (18), mais um garoto negro, João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi vítima de uma ação brutal das polícias Civil e Federal, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Segundo familiares e vizinhos, policiais invadiram a casa do menino e entraram atirando. Já na sexta-feira, durante operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Complexo do Alemão, na capital fluminense, 12 pessoas foram mortas pelos policiais.

“Aquilo não foi uma operação policial, mas uma desastrosa ‘política do abate’, que desde sempre ocorre no Rio de Janeiro. As favelas cariocas são os espaços que os governantes acham que podem tudo, inclusive tirar a vida do João Pedro”, afirma Mônica ao Jornal Brasil Atual.

A coordenadora da comissão da Assembleia lamenta que o genocídio contra a população da periferia continua mesmo em plena pandemia do novo coronavírus. Mônica ainda acrescenta que esses assassinatos não são vistos na zona sul do Rio, onde estão os bairros considerados mais ricos da cidade.

“Quando a polícia quer ir atrás de situações ilícitas, eles conseguem ter êxito (no respeito à vida das pessoas)mas só nos bairros nobres. Agora, quando a ação é na favela, não tem humanidade por parte deles. Então, metem o pé na porta e colocam o fuzil na cara dos moradores”, finalizou.

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