solidariedade

Campanha da Apeoesp articula defesa da vida e dos direitos dos servidores

Desde março, sindicato auxilia famílias vulneráveis – principalmente de professores sem contrato e eventuais – vítimas do descaso do governo Doria

Divulgação/Apeoesp
Subsede do sindicato em Piracicaba, região de Campinas: mais de 400 cestas básicas haviam sido distribuídas até 20 de abril

São Paulo – Epicentro da pandemia de covid-19 no Brasil, com mais de 32 mil infectados e mais de 2.600 mortos, São Paulo não tem ainda um plano para proteger parte de seus servidores durante a quarentena. Para ficar só no exemplo dos professores, do total de 200 mil em todo o estado, pelo menos 25 mil não têm contrato de trabalho. Desprotegidos pelo governo de João Doria (PSDB), estão entre os que engrossam as filas gigantescas dos trabalhadores informais que vão à Caixa em busca da renda básica, que nem todos conseguiram ainda receber.

Foi pensando nesses profissionais, em suas famílias e outras também vulneráveis que o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) criou em março a campanha Em defesa da Vida. Desde então, as 94 subsedes localizadas na capital, Grande São Paulo e interior foram transformadas em comitês de solidariedade.

Em cada uma delas são arrecadados donativos em dinheiro, alimentos, produtos de limpeza e outros essenciais, que são distribuídos na forma de cestas básicas. Entre os principais doadores estão fornecedores, mas o sindicato também participa com aporte financeiro. Em algumas cidades, como Piracicaba, haviam sido distribuídas 400 cestas até o dia 20 de abril, além de marmitas para pessoas em situação de rua.

A campanha, porém, não é puramente assistencialista. “É também de conscientização. Em todas as subsedes há trabalhos nos bairros mais vulneráveis, e também de apoio aos trabalhadores da saúde, dos quais tantos já morreram”, diz a presidenta da Apeoesp e deputada estadual pelo PT Maria Izabel de Azevedo Noronha, a Bebel.

Política genocida

Segundo ela, há ainda o aspecto político da campanha – de se posicionar contra a “política genocida do presidente Jair Bolsonaro e do governador João Doria. “Antes de apoiar o Fora Bolsonaro, que está esperando para ver quantos cadáveres vai contar, é preciso ver que Doria faz o mesmo. Elegeu os funcionários como inimigos; não é diferente do Bolsonaro”.

De acordo com Bebel, a campanha traz embutida também a luta pela concessão de uma renda mensal para cada professor eventual. “É inadmissível o governador João Doria determinar isolamento social no Estado, mas não dar condições aos professores e às famílias carentes que precisam de atenção especial.”

Além da arrecadação de alimentos e outros itens nas subsedes, a Apeoesp também está recebendo doações por meio de depósito bancário. Quem quiser contribuir, pode depositar no Banco Santander, Agência 0041/Conta 13-005573-9. Os recursos arrecadados serão utilizados na compra de mais alimentos para a categoria.

Psicologia gratuita

Como o isolamento social atinge a cada um de maneira diferenciada e, em muitos casos, leva a problemas psicológicos, a Apeoesp abre espaço em seu portal (www.apeoesp.org.br) para indicações de atendimento psicológico online gratuito.

Confira os pontos da campanha em defesa da vida, dos servidores públicos e dos direitos da classe trabalhadora:

  • Suspensão das atividades produtivas não essenciais;
  • Licença remunerada e estabilidade para todos os trabalhadores com salário integral;
  • Políticas de segurança alimentar para segmentos vulneráveis da população;
  • Fechamento total das escolas;
  • Garantia dos direitos de todos os professores, empregados e salário integral;
  • Garantia de pagamento aos professores eventuais de no mínimo o mesmo valor do último salário;
  • Garantia de pagamento e emprego aos profissionais da categoria O;
  • Reabertura dos contratos com terceirizados; readmissão de merendeiras, pessoal de limpeza e demais terceirzados;
  • Efetivo cumprimento da suspensão de aulas imposta pela situação de calamidade;
  • Boicote à farsa do ensino à distância de Doria e Rossieli;
  • Distribuição de kits de prevenção à população (produtos de limpeza, álcool gel, máscaras), congelamento dos preços, testes massivos para coronavírus, garantia de leitos e atendimento médico, fortalecimento do SUS e da pesquisa científica, contratação de pessoal para o setor da saúde;
  • Limpeza e higienização em todos os locais públicos;
  • Revogação da Emenda Constitucional (EC) 95 e retirada imediata e integral da MP 927/2020, revogação da Lei de Responsabilidade Fiscal, suspensão do pagamento das dívidas interna e externa e taxação dos lucros dos empresários e grandes fortunas.