Machismo mata

Feminicídio: em 55% dos casos no Rio de Janeiro, houve violência doméstica anterior

Levantamento da Defensoria Pública do Rio de Janeiro mostra ainda que vítimas são alvos de pessoas próximas, com quem mantiveram ou mantêm relacionamento amoroso

Fernando Frazão/EBC
Uma em cada três agressões é atribuída, pelo autor, à dificuldade em aceitar o fim de um relacionamento

São Paulo – Pesquisa realizada pela Defensoria Pública do Rio, com base em 107 processos que tramitam nos Tribunais do Júri do estado que julgam casos de atentado contra a vida, mostra que mais da metade das mulheres vítimas de feminicídio já haviam sofrido violência doméstica anterior.

“O objetivo primordial dessa pesquisa é compreender as circunstâncias que envolvem a prática do feminicídio, especialmente no que se refere à realidade da mulher vítima desse tipo de violência”, conta a coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher, Flavia Nascimento. “O feminicídio é um crime evitável, desde que os mecanismos de proteção às mulheres previstos na Lei Maria da Penha sejam acionados. A pesquisa revela que em 55% dos casos analisados há relato de violência doméstica anterior. No entanto, as vítimas deixaram de formalizar o registro em razão de medo ou coação praticada pelo réu.”

O perfil das vítimas que surge do levantamento é de uma mulher com idade entre 21 e 40 anos, mãe, em geral atacada em casa à noite ou de madrugada pelo namorado, companheiro ou marido, de quem havia se afastado após relacionamento com duração média de cinco anos.

“Uma em cada três agressões é atribuída, pelo autor, à dificuldade em aceitar o fim do relacionamento”, explica a diretora de Estudos e Pesquisas de Acesso à Justiça, Carolina Haber. “Os dados deixam claro que as vítimas de feminicídio são alvos de pessoas próximas, com quem mantiveram ou mantêm relacionamento amoroso, e sofrem de situações de violência em momentos e locais em que se encontram mais vulneráveis. Cerca de 73% dos crimes ocorreram em período de descanso. A incidência é a mesma para os casos registrados na residência da vítima, morasse ela ou não com o agressor.”

A pesquisa também aborda o recorte racial. “Quanto a cor das vítimas, considerando apenas os casos com informação, a maioria é parda (55%). Em nove casos não foi possível identificara cor. É importante destacar que os registros policiais não seguem a classificação do IBGE, que classifica os brasileiros como pretos, pardos, amarelos e indígenas, utilizando negros, pardos e brancos. Se considerarmos a indicação do IBGE de que negros correspondem aos pardos e pretos, 72% das vítimas são negras”, diz a pesquisa.

Confira a íntegra da pesquisa aqui.


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