genocídio explícito

Racismo: na Bahia, jovens negros são assassinados cinco vezes mais que brancos

Relatório da Rede de Observatórios da Segurança revela que a violência no estado nordestino está fortemente relacionada com o racismo

Ceert/reprodução
Pesquisa mostra que violência contra jovens negros é muito maior que contra brancos e motivada pelo racismo

São Paulo – A taxa de homicídios de jovens negros na Bahia é quase cinco vezes maior que a de jovens brancos, mostra relatório a Cor da Violência na Bahia, lançado ontem pela Rede de Observatórios da Segurança. Silvia Ramos, coordenadora da plataforma, ressalta que a única explicação para essa diferença é o racismo. “Quando se fala em genocídio da população jovem negra não é um exagero. O motivo é o racismo. Esse é o retrato mais desavergonhado do racismo brasileiro. Nós estamos falando de mortes. Nada justifica esse quadro, senão uma política racista”, afirma a ativista, entrevistada na manhã de hoje (06) pela Rádio Brasil Atual (assista abaixo).

O levantamento analisou 10 anos de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), apresentando uma evolução de mortes violentas no estado da Bahia. “O estudo não conta com dados da segurança pública, porque o governo da Bahia (atualmente de Rui Costa (PT)) é um dos poucos do país que não apresenta os dados da área desse setor. Ou seja, quantos homicídios, quantos roubos, quantas mortes, mas também quem foram essas pessoas, idade, raça, gênero etc.”, explicou Silvia.

Os dados mostram que, enquanto a taxa de homicídios no Brasil foi de 27 para cada 100 mil habitantes, em 2018, no Nordeste ela chegou a 40 por 100mil. Já na Bahia, a taxa é 41 por 100 mil, mas em alguns municípios baianos chega a 80 por 100 mil. “Mas o mais surpreendente é que a taxa de homicídio de jovens entre 18 e 29 anos, do sexo masculino, negros, deu 236 homicídios por 100 mil habitantes. A de homens da mesma idade, brancos, é de 50 por 100 mil”, explicou a pesquisadora.

“Ontem mesmo teve uma cena, aqui em Salvador, de policiais espancando jovens negros com palmatória. Um grupo já preso, encurralado, que precisava estender as mãos para serem espancados pela polícia. Isso se chama racismo. Não se faria isso em nenhum outro lugar, mas fazem com jovens negros dentro da favela. É um ato imoral e ilegal”, completou Silvia.

O estudo também demonstra que as mulheres jovens negras são mais frequentemente vítimas de estupro e abuso sexual que as mulheres brancas. De 1.194 casos registrados em 2017, 872 eram mulheres negras e 153 eram brancas. Os demais não havia registro da cor da pele. O que os números mostram é que a violência que atinge essa parcela da população é altamente enviesada do ponto de vista racial.

Confira a entrevista completa:


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